Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia
Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

E o general anunciou: “Todas as suas reivindicações serão atendidas”. E a praça responde: “Allahu akbar!”. O resto ainda não é história, mas será

No dia 28 de janeiro,  comentei aqui aquela foto em que manifestantes do Cairo apareciam sobre tanques, confraternizando com soldados. Lembrei imagem idêntica na então URSS por ocasião do golpe fracassado, que precipitou o fim do país. No dia 31, escrevi o seguinte texto: Mubarack acabou. Futuro agora depende só de generais. A primeira etapa […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 12h52 - Publicado em 10 fev 2011, 16h10

No dia 28 de janeiro,  comentei aqui aquela foto em que manifestantes do Cairo apareciam sobre tanques, confraternizando com soldados. Lembrei imagem idêntica na então URSS por ocasião do golpe fracassado, que precipitou o fim do país. No dia 31, escrevi o seguinte texto: Mubarack acabou. Futuro agora depende só de generais. A primeira etapa da islamização do poder no Egito se encerra hoje. O ditador fará um pronunciamento à nação. A renúncia é dada como certa. O que ainda não se tem claro é quem fica no lugar dele no governo de transição. Também não se sabe ainda transição do quê para quê.

O vice, Omar Suleiman, queimou o filme com declarações ambíguas sobre a possibilidade de um golpe. De quem? Está claro: nesta quinta, o regime militar deu um autogolpe. As coisas só não são chamadas assim porque somos todos favoráveis à queda de Mubarak, certo? Os militares botaram Mubarak para correr. Isso se deu de dois modos.

Em um comunicado oficial na TV estatal, as Forças Armadas declararam que tudo fariam para manter a unidade da “pátria e as conquistas e aspirações do grande povo de Egito”. Era pouco? Ainda era! Hassan Al Roueini, comandante do Exército, foi pessoalmente à praça Tahir e anunciou: “Todas as suas reivindicações vão ser atendidas hoje”.

E os manifestantes gritaram: “Allahu akbar!”

O resto ainda não é história, mas será. Como sempre acontece com a dita-cuja, é uma questão de tempo.

Continua após a publicidade
Publicidade