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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Diga aí, Alckmin: flauta ou cítara?

(leia primeiro o post abaixo)Observem que, no post abaixo, o próprio deputado Edson Aparecido admite que a imprensa, “em sua maioria” (sic), interpreta as intervenções de Alckmin como “críticas ao atual prefeito”. Entendo. Então não sou só eu. Aparecido precisa enviar, acho, o seu e-mail a toda a imprensa, “em sua maioria”. Deputado, se “a […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 19h05 - Publicado em 25 ago 2008, 20h02
(leia primeiro o post abaixo)
Observem que, no post abaixo, o próprio deputado Edson Aparecido admite que a imprensa, “em sua maioria” (sic), interpreta as intervenções de Alckmin como “críticas ao atual prefeito”. Entendo. Então não sou só eu. Aparecido precisa enviar, acho, o seu e-mail a toda a imprensa, “em sua maioria”.

Deputado, se “a maioria” da imprensa interpreta assim, isso não significa, claro, que estamos diante de uma verdade. Mas cumpriria que os senhores, então, se perguntassem: “O que será que nós estamos fazendo para causar tal impressão?” Eu tenho uma suspeita: pôr na TV uma mãe chorando por falta de atendimento médico, como se isso fosse retrato da saúde em São Paulo, estaria no escopo da chamada “crítica propositiva”? Essas lágrimas buscam atingir a candidatura da petista Marta Suplicy ou do democrata Gilberto Kassab?

O caso é que não atinge apenas este prefeito, mas também o anterior: José Serra, do PSDB, cujo apoio mais ativo os senhores ambicionam. Como? Atacando sua gestão? Eu me limitei a apontar o que me parece falta de coerência e de rumo.

Devo ter chamado, o que o senhor contesta, Kassab de um aliado dos tucanos. Sou um tanto ortodoxo, deputado Edson Aparecido: se dois partidos governam juntos uma cidade — e o PSDB e o DEM o fazem —, tenho a mania de chamá-los de parceiros. Está entre os meus exotismos chamar aliados de… “aliados”. Mas o senhor me lembra: são adversários na disputa eleitoral. É fato. Mas, na minha estultice ortodoxa, cheguei a pensar que Marta era ainda mais adversária. Vendo a campanha de Alckmin até aqui, não é o que parece.

O candidato Alckmin, como eu, é católico. Aliás, dizem até que ambos pertencemos ao Opus Dei. Acho que não. Nem ele nem eu. Deve ler, como eu, os Evangelhos. Mais ainda: deve ser fã, como somos quase todos os cristãos, de São Paulo, o melhor e mais político de todos os fundadores da Igreja de Cristo. Então vamos à Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios — que serve de orientação, também, aos “corintianos”, entendem?

Da mesma sorte, se as coisas inanimadas, que fazem som, seja flauta, seja cítara, não formarem sons distintos, como se conhecerá o que se toca com a flauta ou com a cítara? Porque, se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha? Assim também vós: se, com a língua, não pronunciardes palavras bem inteligíveis, como se entenderá o que se diz? Porque estareis como que falando ao ar.
(I Cor, 14, 7-9)

Até aqui, a campanha de Alckmin, entendo, mistura os sons da flauta e da cítara e fala uma língua que o eleitor não reconhece. Por isso, ele está debandando. Dá tempo de arrumar Talvez dê. Mas uma coisa é certa, deputado Edson Aparecido: quando os sons se confundem, o povo, vamos dizer, fica um tanto desorientado.

– Alckmin aprova ou não aprova a gestão tucana em São Paulo? Flauta ou cítara?
– Alckmin acha que a gestão Serra/Kassab foi ou não virtuosa para a cidade? Flauta ou cítara?
– Alckmin considera prioritário derrotar Kassab ou Marta? Flauta ou cítara?
– Alckmin considera que a atual gestão também é de Serra ou é só de Kassab? Flauta ou cítara?
– Alckmin quer ou não quer o governador engajado em sua campanha? Flauta ou cítara?

– Alckmin acha que a atual gestão é também dos tucanos? Flauta ou cítara?
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