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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Datafolha 2 – Larga maioria apoia o impeachment de Dilma: 63%; só 33% são contra

A pior de todas as notícias para Dilma Rousseff nesta pesquisa Datafolha de abril é a opinião dos brasileiros sobre o impeachment: nada menos de 63% dos entrevistados acham que, considerando tudo o que se sabe até agora sobre o petrolão, a Câmara dos Deputados deveria, sim, abrir um processo contra a presidente. O número […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 01h38 - Publicado em 12 abr 2015, 07h47

Datafolha abril impeachment vice

A pior de todas as notícias para Dilma Rousseff nesta pesquisa Datafolha de abril é a opinião dos brasileiros sobre o impeachment: nada menos de 63% dos entrevistados acham que, considerando tudo o que se sabe até agora sobre o petrolão, a Câmara dos Deputados deveria, sim, abrir um processo contra a presidente. O número é compatível com os 57% que dizem que ela sempre soube dos desmandos na estatal e nada fez e com os 26% que acreditam que, mesmo sabendo, ela não tinha como intervir.

Assim, até agora ao menos, os esforços feitos pela presidente para se descolar dos descalabros descobertos na estatal têm sido em vão. A população brasileira não acredita na sua inocência. E, convenha-se, não se pode achar que ela está sendo excessivamente rigorosa. Dilma era a gerentona da área nos oito anos do governo Lula — foi presidente do Conselho da estatal — e seguiu como o farol, a seu modo, da área energética em seu próprio mandato.

Os brasileiros sabem o que acontece se Dilma cair? Vinte e nove por cento afirmaram que “o vice” assume — sem citar o nome. Estão certos; outros 13%, “Michel Temer”. Somados os dois números, chega-se a 42%. Considerando que o impeachment de Collor e a ascensão de Itamar Franco já estão bem distantes da memória, que o vice-presidente, até havia pouco, tinha uma atuação discretíssima e que esse não é um tema frequente na imprensa, especialmente na TV aberta, o número me parece excelente.

Num dos textos da Folha, Mauro Paulino e Alessandro Janoni, escrevem:
“Também é característica do “Fora Dilma” a baixa taxa de conhecimento sobre o que acontece em caso de impedimento da presidente. No total da amostra, são apenas 12% os brasileiros que defendem a abertura do processo, sabem que o vice é quem assumiria e identificam corretamente Michel Temer (PMDB) como o virtual ocupante do cargo. A maioria, porém não sabe que o vice assume em caso de impedimento ou, quando sabe, desconhece Temer.”

Parece haver a sugestão de que os que pedem “Fora Dilma” são meio ignorantes. Eles também não devem ter lido Schopenhauer… “Ah, mas o filósofo não teria importância para o futuro político do Brasil”, dirá alguém. É verdade. Haver, no entanto, 42% que dão a resposta correta me parece muito auspicioso. Afinal, conhecer a regra sucessória, indicando o nome do substituto, não qualifica descontentamento. Ou qualifica? Não é preciso fazer vestibular para ir às ruas, certo? Nem para ser presidente da República, como se sabe…

E que se note: a imprensa toca muito pouco nesse assunto. E, quando o faz, é quase sempre para destacar que não haveria justificativa para o impedimento. Imaginem se adotasse o padrão da cobertura dispensada ao Collorgate… Naquele caso, havia uma espécie de ordem unida em favor do impeachment. E olhem que o escândalo era estupidamente menor. E, claro, não havia ninguém cobrando que os manifestantes recitassem de cor a Constituição.

Datafolha Abril impeachment dois

Dilma quer uma discretíssima notícia positiva? Embora a esmagadora maioria defenda o afastamento de Dilma (63%), número quase idêntico acha que isso não vai acontecer (65%). Só 29% acreditam nessa possibilidade. Serve de consolo. 

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