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Alckmin diz que investigação de cartel virou arma eleitoral. E ele tem razão. Leia trecho do livro de Tuma Jr.

“Houve uma denúncia. Era anônima, apócrifa. Investigue-se, não tem problema. Depois se disse que envolvia pessoas do PSDB. Foi-se verificar, o texto foi alterado. Quando do inglês passou para o português, ele [o trecho] foi enxertado, com objetivo nitidamente político e eleitoral.” A fala acima é do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, referindo-se à […]

“Houve uma denúncia. Era anônima, apócrifa. Investigue-se, não tem problema. Depois se disse que envolvia pessoas do PSDB. Foi-se verificar, o texto foi alterado. Quando do inglês passou para o português, ele [o trecho] foi enxertado, com objetivo nitidamente político e eleitoral.”

A fala acima é do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, referindo-se à acusação de que houve formação de cartel na compra de trens em São Paulo para a CPTM e para o metrô. Poderia perguntar alguém: “Quer dizer que, quando a denúncia atinge o PT, é tudo verdade; quando pega o PSDB, é eleitoreira?”. Nada disso!

Alckmin nunca negou — podem procurar — que o cartel tenha existido. O que criticou inicialmente, e com razão, foi a apuração supostamente sigilosa do caso, embora o órgão ficasse vazando informações para a imprensa. Mais: a Polícia Federal concluiu um inquérito e remeteu para a Justiça com acusações a deputados e secretários seus com base no testemunho de um sujeito que diz ter ouvido alguém falar que…

No livro “Assassinato de Reputações – Um Crime de Estado”, escreve o delegado Romeu Tuma Jr. sobre os casos Siemens e Alstom:
“Recordo-me bem de ainda ter avisado o ministro [Tarso Genro] de que a estratégia [de vazar informações contra os tucanos] poderia se revelar um tiro no pé, pois autoridades e integrantes do PT, dirigentes de órgãos e entidades, também fo¬ram corrompidos pelo esquema Alstom e Siemens. O tempo e profundas investigações, se feitas de forma séria e independen¬te, mostrarão que eu tinha razão.
O que ninguém explorou, até agora, é que no caso Siemens, se a investigação for despolitizada, séria e profunda – o que acho difícil, pois já começou assim, objetivando apenas o vazamento – figurões do PT também serão pilhados na distribuição de propina; nesse caso, sai do trilho e vai para a luz, ou seja: o setor elétrico. De todo modo, que tem coelho nesse mato tem. Só não atiraram antes porque eu desarmei o caçador à época.
As últimas notícias que dão conta de um suposto pagamento de propina a políticos tucanos e aliados no caso Siemens têm todas as características dos famosos dossiês que o Planalto tentava emplacar na minha administração. Novamente, parecem seguir o mesmo percurso: saem do Planalto, vão ao MJ, chegam na PF e aparecem na capa dos jornais. Outra vez, como me disse o Abramovay, o DNA de um Carvalho, como mandante, deverá surgir, mesmo com as tentativas de blindagem. É o Estado policial em plena ação, instrumentalizando as instituições, e mais preocupado em assassinar reputações do que em apurar os fatos.”
(…)

Retomo
Então que se volte ao ponto: houve cartel em São Paulo? Que se investigue. Mas a Siemens, então, jamais corrompeu servidores da administração federal? Petistas não se deixam tentar pela corrupção??? A seletividade é que é escandalosa.

Tome-se como exemplo um consultor chamado Roberto Zaniboni. A PF o trata como o principal lobista no caso dos trens. Tá. Ocorre que este mesmo senhor tem um contrato de R$ 4,6 milhões para consultorias em obras do metrô do PAC. E aí? Diretores da Siemens que assinaram o acordo de leniência no Cade para falar sobre São Paulo celebraram 30 contratos com o governo federal.

Cade, Polícia Federal e Ministério da Justiça querem investigar e punir a corrupção ou querem fazer da investigação um instrumento eleitoral? A resposta, até agora, é mais do que clara,

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