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A naturalização do absurdo e do escândalo

Com o tempo, a gente vai se acostumando com a bandalheira, não se dando conta da naturalização dos absurdos. Vamos ver. Dilma gostaria de efetivar Paulo Sérgio Passos, secretário-executivo do Ministério dos Transportes, no lugar de Alfredo Nascimento, que foi demitido. Segundo uma lógica convencional — que, não raro, é a lógica ela mesma —, […]

Com o tempo, a gente vai se acostumando com a bandalheira, não se dando conta da naturalização dos absurdos. Vamos ver. Dilma gostaria de efetivar Paulo Sérgio Passos, secretário-executivo do Ministério dos Transportes, no lugar de Alfredo Nascimento, que foi demitido. Segundo uma lógica convencional — que, não raro, é a lógica ela mesma , já é um troço meio estranho. Afinal, se Passos é assim tão diferente do outro, como conseguiu ser seu secretário-executivo durante tanto tempo? Ainda segundo a lógica convencional, ou ambos viviam como gato e rato ou eram coniventes nos desacertos com a moralidade pública. Mas vá lá: há uma certa aposta de que Passos era o lado saudável do ministério.

Pois bem. Um dos negociadores do PR é o senador Magno Malta (ES). Ele é a primeira liderança do partido a flertar com a efetivação de Passos no cargo, como cota do partido. Sim, leitor, já dissemos aqui: o fato de o Ministério dos Transportes “pertencer” ao PR é outro desses absurdos tornados naturais. Pois bem. Em que termos Malta passou a fazer a sua defesa? Para ele, Passos é a melhor alternativa para a “continuidade” do trabalho do Nascimento! À sua maneira, segundo aquela lógica convencional, ele tem razão, certo?

Mas tudo é ainda incerto. O senador Blairo Maggi (MT), convidado para o cargo, recusou a oferta por intermédio da imprensa. Alega, ademais, choque de interesses, já que suas empresas operam com o governo em projetos que pertencem justamente à área de Transportes. Mas não é só: em entrevista ao Globo de hoje, Maggi reforça, não há outra leitura possível, as ameaças que Luiz Antonio Pagot, o chefão afastado do Dnit, vem fazendo nos bastidores. O homem só recebia ordens; quem tomava as decisões era o governo, era o PT. Ali no mundo Pagot, há a clara sugestão de que a campanha eleitoral de Dilma Rousseff foi irrigada com recursos fornecidos pela largueza ética que vigora no Ministério dos Transportes.

Mas tudo segue a sua rotina…

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