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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

A coragem de porre: E o PT, ora vejam, não quer ser nem contra nem a favor a liberação do álcool nos estádios

O misto de covardia e esperteza malandra do PT atinge, de vez em quando, o estado da arte. O Apedeuta prometeu à Fifa que o país daria um jeito de mudar suas leis para fazer a Copa do Mundo. A da meia-entrada para estudantes (a que me oponho, diga-se), por exemplo, vai para o vinagre, […]

Por Reinaldo Azevedo - Atualizado em 31 jul 2020, 09h17 - Publicado em 19 mar 2012, 23h27

O misto de covardia e esperteza malandra do PT atinge, de vez em quando, o estado da arte. O Apedeuta prometeu à Fifa que o país daria um jeito de mudar suas leis para fazer a Copa do Mundo. A da meia-entrada para estudantes (a que me oponho, diga-se), por exemplo, vai para o vinagre, ainda que pareça que não. Como a UNE é pelega e nada na bufunfa, não vai mover uma palha. O bicho está pegando é com a questão da venda de bebida alcoólica nos estádios, o que o Estatuto do Torcedor proíbe.

Os petistas estão dando um jeito de não ser nem contra nem a favor e jogar a batata quente no colo dos estados. Num país em que o alcoolismo é um problema sério — o tema quase rende a expulsão de um correspondente estrangeiro, né? —, um partido associado à beberagem não chega a ser exatamente uma conquista. O consumo de álcool é uma dessas práticas que encontram mais praticantes do que defensores. “Ah, isso, então, é hipocrisia”! Pode até ser. O fato inegável é que o álcool está na raiz de muitas manifestações de violência — individual e coletiva.

Leiam trecho da reportagem de Nathalia Passarinho, no Portal G1:
Após mais de três horas de reunião, a bancada do PT na Câmara decidiu nesta segunda-feira (19) apoiar uma versão do texto da Lei Geral da Copa que não contenha autorização expressa da liberação da venda de bebidas alcoólicas nos jogos do Mundial de 2014. A previsão da presidência da Câmara é votar o texto em plenário nesta semana. O texto do relator da matéria, deputado Vicente Cândido (PT-SP), aprovado no mês passado na comissão especial da Lei da Copa, autoriza expressamente a venda de bebidas.

O texto original, enviado pelo Executivo ao Congresso, não libera nem proíbe a venda de álcool nos estádios. Apenas suprime a validade, durante o período da Copa do Mundo, do trecho do Estatuto do Torcedor que proíbe “portar” bebidas nos estádios. Na semana passada, o Ministério do Esporte divulgou nota dizendo que a venda de bebidas nos estádios é um compromisso do Brasil com a Federação Internacional de Futebol (Fifa) e que a autorização constaria do projeto a ser votado. De acordo com o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (PT-SP), Cândido preferia manter seu relatório, mas, diante da posição da maioria, segundo relatou Tatto, afirmou que mudará o texto, se o regimento permitir.

“No mérito, ninguém é a favor da liberação de bebidas. Ninguém concorda. Vamos defender o texto original”, disse Tatto. O governo vai avaliar se é melhor o próprio relator suprimir o artigo que libera bebidas da versão aprovada na comissão especial ou se será apresentado destaque (proposta de alteração) à matéria no plenário. Vicente Cândido criticou a posição da bancada do PT, mas disse que acatará a decisão da maioria. Para o deputado, apenas com a liberação explícita em lei federal haveria o cumprimento do compromisso do Brasil com a Fifa, já que só assim os estados deixariam de ter autonomia para proibir a comercialização.

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“Ficou decidido, contra a minha vontade, que o item das bebidas seria modificado, provavelmente através de emenda. Acho que essa solução não cumpre integralmente o acordo com a Fifa”, disse. O relatório de Cândido prevê que “a venda e o consumo de bebidas, em especial as alcoólicas, nos locais oficiais de competição, são admitidos desde que o produto esteja acondicionado em copos de plástico, vedado o uso de qualquer outro tipo de embalagem”.
(…)
Para Chinaglia, com o retorno ao texto original, os estados teriam autonomia para negociar a comercialização ou não de bebidas. “A bancada decide que prefere a redação original do governo. O relator é do governo, estava presente e ele admite. Mas nós vamos auferir com as outras bancadas. Se necessário, ele mesmo altera”, afirmou Chinaglia.

Voltei
Pois é… Caso prevaleça essa tese covarde, a pressão se desloca para os estados, e o governo federal e os petistas se livram de uma questão espinhosa. A Lei Geral da Copa, é bom notar, deveria ter sido a primeira coisa aprovada nesse processo. Mas foi ficando para o fim, como todo o resto.

“E você, Reinaldo, é contra ou é a favor?”

Também nesse caso, sou a favor do cumprimento da lei. “Ah, mas o Brasil prometeu…” Quem é o Brasil? Lula não tinha autorização para “prometer” que o Congresso mudaria a lei.

Sei que anda muito influente, até entre jornalistas, esse negócio de que o Executivo, desde que clarividente, deve decidir os caminhos do Legislativo. Não gosto da ideia. Nem para clarividentes nem para obtusos. Um Executivo que rouba prerrogativas do Legislativo será sempre obscurantista. Por princípio.

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