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A “Autoridade Palestina” e a ONU: a maioria não transforma um erro num acerto

Bem, bem, bem… Maioria não é categoria de pensamento nem critério de verdade, como aqui já se escreveu tantas vezes. Também não transforma um erro num acerto. Ontem, por 138 votos a 9, com 41 abstenções, a Assembleia Geral da Nações Unidas reconheceu a Autoridade Palestina como “estado observador não-membro” — era só uma entidade […]

Bem, bem, bem… Maioria não é categoria de pensamento nem critério de verdade, como aqui já se escreveu tantas vezes. Também não transforma um erro num acerto. Ontem, por 138 votos a 9, com 41 abstenções, a Assembleia Geral da Nações Unidas reconheceu a Autoridade Palestina como “estado observador não-membro” — era só uma entidade observadora. Ok. Israel e EUA votaram contra. A secretária de estado norte-americana, Hillary Clinton, criticou a decisão. Sim, isso evidencia, é inegável, o isolamento dos dois países nessa questão. Também isso não muda a qualidade das coisas.

O que significa o adjetivo “observador” quando não se tem o substantivo, o “estado”? Ora, “trata-se de uma questão política, Reinaldo”! Eu sei! Mas essa pressão torna mais próxima ou mais distante a efetiva criação do estado? Por várias razões, entendo que cria problemas novos.

Vamos ver. Que “estado” foi reconhecido? Se Mohamed Abbas pisar na Faixa de Gaza, será preso ou morto. Se Ismail Haniyeh, do Hamas, pisar na Cisjordânia, vai para a cadeia. Que força exatamente foi admitida na ONU? Sim, é verdade, Abbas foi a figura saudada nas Nações Unidas. A iniciativa de pleitear a mudança de status foi sua. O fato trágico — para os palestinos, para a paz e também para Israel — é que ele é um líder que não lidera a totalidade do povo em nome do qual fala. Os que lhe fazem oposição em sua própria seara formam um grupo virulento, que jamais renunciou à prática terrorista.

É uma tolice supor que a decisão de ontem vá fortalecer a sua posição contra o Hamas. A facção que governa Gaza também comemorou o resultado, que se segue à reação de Israel aos ataques que sofre diariamente. É evidente que as nações que votaram em favor do reconhecimento expressaram uma espécie de censura ao país que se defende, o que é um escândalo moral. Como é o Hamas a força que hoje se apresenta para o confronto, mais os terroristas lucraram com o evento aloprado de ontem do que Abbas.

O discurso do presidente da Autoridade Palestina não foi exatamente de conciliação e de paz. Acusou os israelenses de promover uma “limpeza étnica” e de cometer “crimes de guerra”. Ação de paz deve ser o foguetório que o Hamas promove diariamente contra o inimigo. Não fosse o sistema de defesa israelense, os mortos se contariam aos milhares. Não é que os palestinos sejam incompetentes para matar, não. Os israelenses é que são mais competentes para se defender.

Bem, o que falta para a paz e para a criação real do estado palestino? Definir o status de Jerusalém, definir a questão dos assentamentos, definir o status do que os palestinos chamam “refugiados”, definir as fronteiras, definir o grau de autonomia das forças de segurança palestinas, definir o… Só isso? Não! Há mais uma coisinha relevante: convencer o conjunto das facções palestinas que aderiram ao terrorismo, muito especialmente o Hamas, que Israel tem o direito de existir. Uma tarefa fácil, como se nota.

Qual é a hipótese subjacente à decisão de ontem? “Se a maioria das nações votar em favor do pleito de Abbas, Israel será forçado a negociar”. Mas a negociar o quê? A chamada “volta dos refugiados”, por exemplo? Querem que o país negocie o seu fim? Não vai acontecer.

Não há estado possível, observador da ONU ou não, fora das negociações bilaterais. “Ah, mas isso é difícil! Se for assim…” É, se for assim, será difícil…

Mas só será se for assim!

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