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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

“Mulher, negra e de origem pobre…” Aí não dá!!!

“Que cada homem e mulher que têm fé possam rezar, os que não têm possam torcer, para que, no dia 1º de janeiro, o Brasil possa ter a primeira mulher negra, de origem pobre, na Presidência do Brasil”. É Marina Silva ao discursar na convenção do PV que a lançou candidata à Presidência da República. […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 15h06 - Publicado em 10 jun 2010, 21h11

“Que cada homem e mulher que têm fé possam rezar, os que não têm possam torcer, para que, no dia 1º de janeiro, o Brasil possa ter a primeira mulher negra, de origem pobre, na Presidência do Brasil”.

É Marina Silva ao discursar na convenção do PV que a lançou candidata à Presidência da República. Pois é… Aí não dá. Isso ecoa o petismo mais atrasado, que é justamente, à diferença do que pensa a mineira Sandra Staling, que deixou a legenda (ver post da madrugada), o PT mais atrasado. E isso recoloca a questão: Marina deixou o seu partido de origem por conta da suas (do partido) qualidades ou defeitos? A fala acima esbarra, máxima vênia, num coquetel de demagogias.

Starling e a própria Marina revelam, é inequívoco, uma saudade daquele PT primitivo, mais ou menos, acho, como certas seitas, em passado remoto, repudiavam a organização do clero como um desvio em relação ao verdadeiro cristianismo.

Dizer o quê? Já ouvi esse discurso antes. E não foi de Barack Obama, nos EUA. Ele nunca disse que o país precisava “eleger um negro”. Até porque países não precisam eleger negros, brancos, mulheres, pobres ou ricos. Precisam escolher pessoas que representam determinadas políticas públicas. Já ouvi esse discurso no PT.

O partido já foi um dia a legenda que se queria dos negros, dos trabalhadores, das mulheres, dos pobres, dos gays…  Sob certo ponto de vista — o de seus críticos de esquerda e extrema esquerda —, ele foi, no governo, bastante macho, branco, heterossexual e “riquista” (a favor dos ricos). E é claro que é esse um ponto de vista equivocado, estúpido mesmo. O partido seguiu, no que diz respeito à economia, o que herdou. E o fez pela simples e boa razão de que as escolhas do antecessor eram as sensatas.

Se eleita, que diferença faria Marina ser branca ou negra? Mulher ou homem? Homo ou hétero? Se quisesse governar com correção, não haveria de fazer diferença nenhuma. Esse tipo de abordagem só alimenta expectativas furadas e suposições tolas. Obama, diga-se, é um bom exemplo. Ele mesmo, reitero, nunca quis ser um presidente com essa “marca de origem controlada”. Mas muitos de seus eleitores imaginavam que o que chamavam de “Império Americano” seria outro sob a sua gestão. E se decepcionam agora, acusando-o de ter cedido à “pressão da direita” (sempre ela!!!).

Marina pode ser muito simpática, doce e tal. Esse tipo de apelo, lamento constatar, vai na contramão da democracia. Nessas horas, a gente sempre pode lembrar que Stálin era filho de sapateiro, e Mao Tse-Tung, de camponês. Um Lula já está bom. Não precisamos de outros, nem com mais nem com menos instrução.

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