Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia
Radar Por Robson Bonin Notas exclusivas sobre política, negócios e entretenimento. Com Gustavo Maia e Mariana Muniz. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Teatralidade de Bolsonaro esconde avanço de pacto com o centrão

Presidente da República transforma ato de governar em diversão, enquanto país afunda na recessão e nas mortes na pandemia

Por Robson Bonin Atualizado em 1 jun 2020, 07h37 - Publicado em 1 jun 2020, 06h08

O Brasil chegou a 10.000 mortes na pandemia com Jair Bolsonaro prometendo churrasco e passeando de jet-ski em Brasília. Uma semana depois, com o país já na casa das 20.000 mortes, Bolsonaro divertia-se comendo cachorro-quente numa barraca de rua em Brasília. Também teve bandeirão e ato golpista no Planalto.

Neste fim de semana, com o país prestes a bater a triste marca das 30.000 mil mortes, o presidente deu um passeio de helicóptero e depois andou a cavalo na frente do Planalto. Mais uma vez, a agenda do toma lá dá cá foi esquecida e o horror da pandemia ficou de lado no caos presidencial.

ASSINE VEJA

As consequências da imagem manchada do Brasil no exterior O isolamento do país aos olhos do mundo, o chefe do serviço paralelo de informação de Bolsonaro e mais. Leia nesta edição
Clique e Assine

O país, que mergulha numa crise sanitária e econômica sem precedentes, não tem comando, não tem plano para vencer as adversidades nem chefe de Estado capaz de proporcionar condições para a formação de uma reação nacional à pandemia e ao desastre financeiro dos brasileiros.

Bolsonaro investe no caos e na teatralidade de suas ações para desviar o foco de duas verdades incontornáveis. Sua inépcia como governante e sua associação desesperada ao fisiologismo do centrão — por que ele precisa do centrão? Por que a coisa na área criminal anda feia para seus aliados e familiares.

Enquanto distrai a audiência com declarações golpistas, ele se tornou o principal acionista da banda que prometeu combater nas eleições, loteou e distribuiu cargos importantes entre a ala podre do Congresso — num evidente estelionato eleitoral — e é com ela que, iludido, imagina poder controlar o Parlamento a partir da eleição de fevereiro.

Bolsonaro aposta no jogo da sucessão de Rodrigo Maia e de Davi Alcolumbre. Aposta que Ciro Nogueira, Roberto Jefferson, Valdemar Costa Neto e Paulinho da Força lhe oferecerão tranquilidade para evitar a ruína de seu governo.

Para manter-se longe de riscos, Bolsonaro só precisa manter bem alimentados e cuidados os cerca de 230 deputados que integram o centrão e que seriam vitais num eventual processo de impeachment.

O problema é que o centrão já mostrou com Dilma Rousseff, que não se pode contar com sócios tão pouco comprometidos. Todos no Parlamento enxergam o desastre em curso no governo, ninguém está há tanto tempo nesse negócio pulando do precipício com inquilinos do Planalto de turno. Quando a fatura da pandemia chegar ao palácio…

Continua após a publicidade
Publicidade