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Palocci: Bancos fizeram repasses milionários ao PT em troca de favores

Documento obtido pelo Radar confere, pela primeira vez, contornos concretos à principal frente da delação do ex-ministro

Por Robson Bonin, Evandro Éboli, Pedro Carvalho - 14 ago 2019, 17h10

O ex-ministro Antonio Palocci também dedica uma série de anexos a alguns dos principais bancos do país, como revelou o jornal O Globo, no mês passado. Segundo o ex-ministro, os bancos fizeram doações eleitorais milionárias a campanhas do PT em troca de favorecimentos nos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Palocci cita casos envolvendo Bradesco, Safra, BTG Pactual e Itaú Unibanco. O interesse das instituições, de acordo com o ex-ministro, ia de informações privilegiadas até a busca por apoio do governo na defesa de interesses das instituições e seus acionistas.

É a primeira vez que um documento do Supremo confere contornos concretos à principal frente da delação do ex-ministro Antonio Palocci fechada com a Polícia Federal e homologada pelo ministro Edson Fachin, chefe da Lava-Jato no STF.

A partir desse documento, descobre-se que o acordo firmado pelo ex-ministro no Supremo tem 23 anexos, que tratam de 12 políticos, entre ex-ministros de Estado, parlamentares e ex-parlamentares – além de grandes empresas.

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Procurados, o Itaú Unibanco enviou ao Radar a seguinte nota: “O Itaú Unibanco repudia a tentativa de vincular doações eleitorais feitas de forma legal a supostas condutas para atender a interesses particulares. O banco não teve acesso à delação, mas afirma que a declaração mencionada é mentirosa. Nas eleições de 2006, 2010 e 2014, o banco doou montantes iguais aos candidatos que lideravam as pesquisas de opinião, conforme consta nos registros do TSE, o que deixa claro que não houve privilégio a qualquer um dos partidos. O Itaú Unibanco lamenta que seu nome tenha sido usado indevidamente por um réu confesso que tenta obter vantagens em acordos com a Justiça”.

O Bradesco afirma que “as empresas do Grupo Bradesco realizaram doações eleitorais aos partidos, todas elas públicas e devidamente registradas, conforme consta no site do Tribunal Superior Eleitoral. Por isso mesmo, repudiamos quaisquer ilações descabidas formuladas em relação ao fato”.

O BTG e o Safra não quiseram comentar o conteúdo da delação de Palocci.

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