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Radar Por Robson Bonin Notas exclusivas sobre política, negócios e entretenimento. Com Gustavo Maia, Laísa Dall'Agnol e Lucas Vettorazzo. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

O sonho do palanque duplo entre Ciro e Lula no Rio de Janeiro

Caciques do PT e do PDT se reúnem para discutir formas de vencer o bolsonarismo em 2022 no Estado

Por Lucas Vettorazzo Atualizado em 8 set 2021, 21h13 - Publicado em 9 set 2021, 07h30

Com pouco mais de um ano da eleição, a oposição ao bolsonarismo no Rio de Janeiro está tentando pôr de pé uma alternativa competitiva para a corrida ao governo do Estado em 2022.  Caciques de PT e PDT têm se sentado para conversar e tentar algum acerto que, mesmo sem uma aliança formal entre os partidos, atenda tanto aos interesses de Lula quanto aos de Ciro Gomes.

O sonho das legendas é que os presidenciáveis tenham múltiplos palanques no Estado. A tese do palanque duplo, talvez triplo, está a todo vapor. Nos bastidores, a dúvida é sobre o quanto do plano é exequível.

Nesta quarta-feira, se reuniram em torno de uma mesma mesa para discutir o assunto o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, o virtual pré-candidato do PDT ao governo do Rio, Rodrigo Neves, a deputada estadual Martha Rocha (PDT), o presidente estadual do PT, João de Freitas, e o presidente da Assembleia Legislativa do Rio e cacique petista, André Ceciliano.

Ceciliano tenta articular sua candidatura ao Senado e para isso promete palanque aberto para Ciro Gomes em troca de apoio ao seu projeto. Já Neves promete dar palanque a Lula em agendas no Rio em que Gomes não estiver presente. Neves, que já foi filiado ao PT, se fia na boa relação que os dois partidos têm no Estado.

Há ainda dois grupos políticos que podem entrar nessa ciranda eleitoral: o de Eduardo Paes (PSD) e o de Marcelo Freixo (PSB). Freixo concorre pelo apoio de Lula à sua candidatura ao governo, enquanto Paes trabalha nos bastidores para viabilizar seu grupo político em torno da candidatura de Felipe Santa Cruz, atual chefe da OAB. Tanto Freixo quanto Paes têm boas relações com Ciro e com Lula.

Segundo pessoas que acompanham de perto a política do Rio, a união desses quatro grupos políticos poderia ser fatal para o projeto de reeleição do governador Cláudio Castro (PL), mas a vaidade e os interesses pessoais vão impedir que isso ocorra. Por enquanto, PT e PDT combinaram um pacto de não agressão no primeiro turno e as fundações de pesquisa dos dois partidos vão elaborar propostas de governo em comum para a “reconstrução do Rio”, segundo um cacique pedetista contou a esta coluna.

O chefe nacional do PDT, Carlos Lupi, disse ao Radar que Ciro Gomes não se sentiria desconfortável, por exemplo, em dividir palanque com o petista André Ceciliano no Rio, assim como o presidenciável não faria oposição se Rodrigo Neves compartilhasse palco com Lula em agendas no Estado. Segundo ele, “a hora é de muita conversa e nenhuma definição”. Lupi disse que não faz nenhum movimento sem discutir com Ciro Gomes antes.  “Ele está sabendo e aprovou a conversa. É só uma conversa por enquanto”, disse.

O PT enxerga a situação da seguinte forma: quanto mais palanque para Lula, melhor.

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