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Radar Por Robson Bonin Notas exclusivas sobre política, negócios e entretenimento. Com Gustavo Maia, Laísa Dall'Agnol e Lucas Vettorazzo. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

O sermão de Maia em uma deputada que mexeu com o pai dele

Transcrição revela tensão na reunião, na qual presidente da Câmara relembra tortura sofrida por César Maia na ditadura

Por Evandro Éboli Atualizado em 24 jan 2021, 11h05 - Publicado em 24 jan 2021, 11h02

“Deputada, nunca mais fale de ditadura comigo. Nunca mais! A senhora não sabe o que meu pai passou. Meu pai foi torturado, colocaram no ânus dele um cassetete, levou um tiro, e só não morreu porque estilhaçou na grade. Nunca mais trate desse tema comigo!”

A dura declaração acima foi feita por Rodrigo Maia, durante a reunião da Mesa da Câmara, na última segunda-feira. A deputada citada e a quem se dirigia foi Soraya Santos (PL-RJ), 1ª Secretária da Casa.

As notas taquigráficas com o conteúdo da reunião revelam o clima tenso. Soraya é aliada de Jair Bolsonaro e apoiadora enfática de Arthur Lira na disputa pelo comando da Câmara.

O assunto em pauta era o problema da bancada do PSL, tema que divergiam. Soraya provocou Maia.

“Não podemos aceitar a ditadura em pleno século 21”, disse a deputada, que voltou ao assunto.

“Sr. Presidente, Vossa Excelência é um democrata, sabe o que a ditadura pregou na vida de Vossa Excelência, que sempre defendeu essa liberdade”.

Se deu, então,  a reação de Maia, que não parou aí e aproveitou para espinafrar Bolsonaro e suas ameaças de fechar o Congresso.

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“Quem defende a ditadura é o presidente que vocês apoiam, o Presidente da República. Não somos nós, que estamos defendendo esta Câmara independente. Vocês estão tentando sequestrar a Presidência da Câmara, e não vão sequestrá-la enquanto eu for Presidente”.

E fez uma ameaça com abertura do impeachment.

“E, se o presidente continuar apoiando vocês nesse clima pesado, ele vai levar um impeachment pela frente, hoje ou amanhã…Quem garantiu a esta Casa, neste governo Bolsonaro, a liberdade de nós atuarmos, modéstia à parte, fui eu! Fui eu, porque ele queria fechar o Parlamento, ele queria fechar o Supremo Tribunal Federal. Ele foi às ruas na manifestação contra nós. Então, ninguém tem o direito de tratar desse tema comigo”.

E encerrou, voltando a se referir a César Maia.

“Passei com o meu pai o que nenhum de vocês passou. E não aceito nada que se aproxime de dizer que esta Mesa pode estar tomando qualquer decisão ditatorial”.

Seu pai, o vereador e ex-prefeito César Maia, foi alvo da ditadura. E viveu no exílio, no Chile, onde Maia nasceu.

 

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