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Radar Por Robson Bonin Notas exclusivas sobre política, negócios e entretenimento. Com Evandro Éboli, Mariana Muniz e Manoel Schlindwein. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Advogada processa colega de profissão por injúria racial

Em grupo de WhatsApp de advogados, Isabela Bueno postou imagens de bananas em resposta a colega negra Thayrane Evangelista

Por Evandro Éboli Atualizado em 14 jan 2021, 20h53 - Publicado em 14 jan 2021, 19h30

A advogada Thayrane Apóstolo Evangelista, de 30 anos, entrou com uma ação acusando a colega de profissão Isabela Bueno de Souza de ter cometido injúria racial. Ela também registrou um boletim de ocorrência.

Thayrane, que é negra, decidiu ajuizar contra Isabela após uma discussão no grupo de WhatsApp “Liga da Justiça”, que reúne advogados de Brasília. O caso ocorreu na última segunda-feira.

Durante uma discussão, e após uma intervenção de Thayrane, Isabela inseriu imagens de três bananas.

“Não entendi”, respondeu Thayrane.

“Reserva de pensamento. Pensei alto. Sorry”, escreveu Isabela na sequência.

Thayrane então reagiu e escreveu  que “injúria racial é ofender alguém com base em sua raça, cor, etnia, religião, idade ou deficiência. O Código Penal descreve o delito de injúria, que consiste na conduta de ofender a dignidade de alguém, e prevê como pena, a reclusão de 1 a 6 meses ou multa. Detalhe: é imprescritível”.

Isabela justificou a imagem das frutas.

“Banana é a fruta que mais gosto, mas ela representa pessoas sem personalidade. Acho fácil de entender”, respondeu Isabela.

“Racista sempre achará maneira de distorcer suas palavras ao seu favor. Mas vamos deixar isso para o Judiciário”, escreveu de volta Thayrane.

Ainda no grupo, e respondendo a outro colega que criticou sua manifestação, Isabela afirmou que “jamais daria qualquer conotação racial, pois não é da minha índole isso. Eu não sou racista. Seja contra branco, negro amarelo.”.

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E afirmou que usou a imagem no sentido de “dar uma banana para ela, não estar nem aí para ela”.

Ao Radar, Isabela afirmou que usou a banana no sentido de uma pessoa mole. Ela afirmou que é vítima de perseguição política no grupo por ser crítica a OAB do Distrito Federal. Afirmou que a intenção é destruí-la politicamente.

“Já fui alvo de ataques no grupo e ninguém saiu em minha defesa. Insinuações de loira burra. Jamais tive a intenção de fazer um link racial. Quis dizer que se trata de uma pessoa banana”.

Isabela afirmou ainda que Thayrane é “teleguiada” por outra advogada, Daniela Teixeira, com quem tem problemas de relação. Daniela também reagiu a Isabela no grupo.

Depois da repercussão, Isabela, no grupo, disse não ter tido intenção de ofendê-la e pediu “escusas”.

Na ação, os advogados de Thayrane afirmaram que as manifestações de Isabela o “dolo intenso, bem como sua vã tentativa de escapar à persecução penal após ter sua conduta apontada publicamente” por Thayrane.

“Tentativa completamente inútil, pois a associação entre pessoas negras e macacos é, lamentavelmente, uma das formas mais abomináveis e comuns de expressar o racismo”.

“Já passei diversas situações parecidas. Dessa vez foi muito explícito. Ainda tentando me recompor”, contou Thayrane.

Abaixo, a troca de mensagens no grupo dos advogados.

Grupo
///Reprodução

 

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