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Ainda não vi Aquarius e nem dei um rolê pela Bienal. Mas sei do que se trata. Aquarius porque é inevitável e a simples presença de Sonia Braga – nossa mais brilhante estrela em Hollywood há tempos afastada da filmografia pátria – já traz um sabor de événement. Depois, teve todo o episódio do tapete […]

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 15 set 2016, 00h01 | Atualizado em 2 fev 2017, 08h57
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Tititi em Cannes: “Não é porque é ‘ForaTemer’ que tem de ser bom”

Tititi de ‘Aquarius’ em Cannes: “Não é porque é ‘ForaTemer’ que tem de ser bom”

Ainda não vi Aquarius e nem dei um rolê pela Bienal. Mas sei do que se trata.

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Aquarius porque é inevitável e a simples presença de Sonia Braga – nossa mais brilhante estrela em Hollywood há tempos afastada da filmografia pátria – já traz um sabor de événement. Depois, teve todo o episódio do tapete vermelho em Cannes, o tititi por causa da tal censura/boicote por conta da classificação etária (“É dezesseis e setecentos/É dezessete e setecentos…”, já cantava Jackson do Pandeiro) e agora a indignação geral porque a obra do diretor Kleber Mendonça Filho não é o candidato brasileiro à indicação de filme estrangeiro para os prêmios da Academia de Hollywood, vulgo Oscar. Foi preterido por Pequeno Segredo, que, dizem, não vai além do drama familiar convencional.

Quanto à Bienal de São Paulo – em sua 32a. edição – acompanhei de perto os desdobramentos do evento em 2010 (Há Sempre um Copo de Mar Para o Homem Navegar), 2012 (A Iminência das Poéticas) e 2014 (Como … Coisas que Não Existem), entrevistando curadores e artistas e ouvindo mais discursos do que propriamente me deparando com experiências artísticas – com algumas honrosas exceções, diga-se. Durante a montagem da atual (Incerteza Viva), conversei com Jochen Volz, o curador alemão responsável, e o papo foi muito interessante. O homem tem currículo (Instituto Inhotim, Bienal de Veneza, Serpetine Galleries de Londres), faro, expertise e abrangente visão do mundo na atual transição entre séculos. Fiquei curioso.

De novo: não comento os dois eventos em si, mas o seu movimentado em torno, que faz barulho na mídia e nas redes sociais. Até porque a maioria nada silenciosa que discute acaloradamente também não viu nem um nem outro, mas se sente no direito de opinar porque, afinal, tanto o filme quanto a mostra são produtos culturais engajados. Esse é o X da questão. Em tempos politicamente corretos, problematizar é preciso, e engajar, mais que obrigatório.

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Acompanhei – e me diverti – com uma discussão de Facebook: o dono da timeline dizia estar sendo patrulhado pelos amigos por não ter gostado de Aquarius. Uns concordaram, outros protestaram, até que alguém desabafou: “Não é porque é ‘ForaTemer’ que tem de ser bom”. Direto no olho… ou melhor, no ponto. Afinal, o filme foi tão incensado como representante ideal do atual momento do país, que passou a ostentar uma medalha dourada de padrão de qualidade – quem declara gostar parece estar atestando que se encontra “do lado certo da história”. Apenas à guisa de ilustração: na programação do London Film Festival – que acontece no mês que vem – Aquarius aparece na categoria “Love”. É isso aí, bicho.

Já a Bienal, além de também ostentar o coté anti-governo favorito de todos, tem sido saudada pelo seu caráter ambientalista brejeiro e bem intencionado – com pajelanças ancestrais e batatas gerando energia. Tanto que o colega Antonio Gonçalves Filho, de O Estado de S. Paulo (ele sim conferiu tudo de perto), chamou atenção para o fato da mostra ser tão “correta” que falta espaço para a arte realmente nos surpreender.

Mas, chega de cultura engajada e vamos falar do que realmente interessa: está sacudindo o noticiário e dividindo opiniões a mudança de endereço daquele milk-shake do achocolatado da nossa infância, que trocou a cadeia de fast-food carioca pela franquia imperialista ianque do hambúrguer. Isso sim é digno de revolta e motivo para sair as ruas – até pegar em armas se preciso for. Afinal, sou coração valente desde criancinha. Saudações vulcanas (“Vida longa e próspera”) a todos!

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