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Uma eleição singular

Se as urnas são confiáveis, em quê o voto impresso as comprometeria?

Por Ruy Fabiano 27 out 2018, 10h00 | Atualizado em 30 jul 2020, 20h13
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Esta é uma eleição marcada por anomalias – e a principal é a de não ser auditável. Não é pouca coisa – e resume o resto.

Uma eleição cujo resultado pode ser posto em dúvida pelo eleitor fragiliza a democracia. E esse desserviço foi prestado, de forma unilateral e despropositada, pelo Judiciário: TSE e STF.

A resistência ao voto impresso, como adicional ao eletrônico, aprovado por ampla maioria no Congresso, dá lastro a todas as suspeições, já em curso – sobretudo porque não precisava ser assim.

Todo o ambiente de teoria da conspiração vigente decorre dessa atitude do Judiciário. Se as urnas são confiáveis, em quê o voto impresso as comprometeria? Apenas chancelaria esse pressuposto.

A princípio, o TSE, então presidido por Gilmar Mendes, alegou razões financeiras. As impressoras custariam R$ 2 bilhões. O jurista Modesto Carvalhosa fez amplo levantamento de preços no mercado e chegou a valor bem menor: R$ 200 milhões. E ficou por isso.

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Por fim, na mais inusitada das decisões, o STF, provocado pela PGR, concluiu que se tratava de inconstitucionalidade, mesmo a Constituição não descendo ao varejo da forma de votação.

O resultado é o ambiente de temor e perplexidade, de consequências imprevisíveis, cuja conta será cobrada ao Judiciário.

A expectativa, amplamente chancelada pelas pesquisas – e já prenunciada nos números do primeiro turno –, é de que Jair Bolsonaro saia vitorioso por significativa margem de votos. Mas é uma expectativa pontuada por tensões e rumores de toda ordem.

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O temor de fraude é generalizado – e não é despropositado. Numerosos especialistas o atestam. Ainda que as urnas sejam perfeitas como o dizem seus defensores, o simples fato de isso não ser demonstrável justifica o temor. O TSE, sem meios de desfazê-lo, se empenha em reprimi-lo. Chegou mesmo a retirar do ar manifestação nesse sentido do candidato Bolsonaro.

A manifestação foi censurada, mas o temor é incensurável e pode gerar turbulências no pós-eleitoral.

Outra anomalia foi o ambiente de insultos que marcou a campanha; entre outras coisas, produziu um atentado a faca ao candidato Bolsonaro, por parte de um militante de esquerda.

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Tão chocante quanto a agressão foi a tentativa de banalizá-la – não apenas pelos concorrentes, mas também por parte da grande mídia, que se limitou a divulgar boletins médicos e não cobrar das autoridades competentes investigações e providências.

O cerco moral que a esquerda impôs a Bolsonaro passou ao largo da discussão de propostas, concentrando-se nos insultos. Acusou-o obstinadamente de nazista, não obstante o apoio que lhe hipoteca o Estado de Israel, ao qual não se cansa de elogiar.

A lógica do insulto prescinde da lógica da história; nazista apoiado por Israel é algo tão absurdo quanto um quadrado redondo.

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O projeto Bolsonaro é pontuado de incertezas e apoiado por uma frente sem unidade doutrinária. Formou-se e consolidou-se na aversão ao petismo, cujo projeto rejeita não por desconhecê-lo, mas exatamente pelo contrário: por conhecê-lo até demais.

A maioria parece mais segura em apostar em um caminho a ser construído, que em outro que já levou à destruição.

Ruy Fabiano é jornalista 

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