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Tanatocracia (por Gustavo Krause)

Desgoverno e desvalor da vida

Por Gustavo Krause Atualizado em 28 fev 2021, 03h18 - Publicado em 28 fev 2021, 13h00

A humanidade alcançou conquistas e realizou avanços no campo da ciência e da tecnologia, em espaço de tempo, capaz de desafiar o mais ousado pensador da ficção cientifica. Em contrapartida, não conseguiu chegar a um modelo ideal de organização política que, estabelecesse normas e padrões de convivência civilizada e submetesse o poder ao controle dos governados.

E haja tempo. Por falar em tempo, não custa, em voo rasante, observar que há milênios, foi legado ao futuro a herança greco-romana em pensamento, palavras e obras. Para não ir longe, basta se situar no campo da filosofia e do direito. Por sua vez, a origem e o significado etimológico das palavras explicam, sinteticamente, a natureza dos governos a partir dos sufixos “Arquia” designa governo; “Kratos”, titã da mitologia grega, que personificava o poder.

Com efeito, a palavra formada não emite juízo de valor para além do que conceitua. No conjunto, limita-se a demonstrar a complexidade que envolve as múltiplas facetas da realidade política. Parte delas, foi extraída do clássico de Bobbio, “Teoria das Formas de Governo”, tendo como origem a célebre discussão entre Otanes, Megabises e Dario sobre a forma de governo mais adequada para Pérsia, hoje Irã, na sucessão de Cambises, século V a.C. Outra parte não chega a ser formas de governo, mas se desvia da rota do que poderia ser “o bom Governo”.

Monarquia: governo de um; Aristocracia: governo dos melhores; Democracia: governo do povo; Oligarquia: governo de poucos, da mesma família, partido ou corporação; Oclocracia: governo da multidão, da turba; Autocracia: governo de único detentor do poder (líder, ditador, déspota, comitê, partido); Plutocracia: governo dos mais ricos; Cleptocracia: “governo de ladrões”, corrupção política institucionalizada; Timocracia: “governo da honra”, forma de governo em que a honra é o princípio dominante; Teocracia: governo fundamentado pela encarnação da divindade no governante; Androcracia: governo que se baseia na suposta superioridade masculina; Pedantocracia: sequela da Tecnocracia, governo de especialistas e senhores da razão; Ineptocracia: governo de incapazes; Idiocracia: governo de idiotas; Gerontocracia: governo de velhos, de preferência, oligarcas; Pornocracia: período (Século X) de obscurantismo moral no Vaticano; Hierocracia: governo dos sacerdotes; Pulhocracia: governo indecoroso que se transforma na Canalhocracia; Tanatocracia: governo da morte.

Inacreditável, mas a humanidade viveu experiências dramáticas em matéria de desgoverno e desvalor da vida que começa a ser extinta quando lhe falta a atmosfera do respeito e diálogo. E aí estará condenada à pena de morte por falta de ar.

 

Gustavo Krause foi ministro e governador

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