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O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Quem pergunta quer saber

Não basta querer para dirigir uma nação. É preciso ter talento

Por Maria Helena RR de Sousa 29 mar 2019, 10h00 | Atualizado em 30 jul 2020, 19h51

O Brasil em lascas, quase parando, com seu povo desanimado e embrutecido pelas notícias que assombram até os corações mais fortes, e vem o capitão que, por obra e graça das bruxas, se elegeu presidente deste pobre país e pergunta, ao sentir que o desagrado que provoca é muitas vezes maior que a admiração que por breves momentos suscitou: “O que é que eu fiz de errado?”

A resposta é fácil e simples: decidiu que ia resolver, de uma só tacada, a sua vida e a vidinha de seus rebentos, os ‘zeros’ que sem o pai continuariam a ser zeros.

Se tivesse continuado a ser deputado, permaneceria em sua vidinha mansa e, sobretudo, evitaria o ataque que sofreu e que quase o fez bater a cachuleta. Mas, pergunta o leitor? E os garotos? Ora, os garotos que se virassem. São jovens, fortes, saudáveis e podem muito bem enfrentar o batente.

Mas não basta querer para dirigir uma nação. É preciso ter talento, inteligência, saber o lugar que ocupa e ser competente. Infelizmente, tudo isso faz falta a Jair Bolsonaro. Ele é tacanho, pouco inteligente, não sabe onde foi parar e é incompetente.

A boa revista inglesa ‘The Economist’ publica um artigo sobre o capitão intitulado “Aprendiz de presidente”. Sabe que a reforma da Previdência é vital para o Brasil, assim como sabe que para isso é necessário um líder que encaminhe e acompanhe essa pauta no Legislativo. Onde está esse líder? Aí é que está o grande problema brasileiro. Nós não temos esse líder. Nem sequer um presidente que reconheça líderes. É só ver o que ele fez com o Ministério da Educação: colocou em seu comando um colombiano que mal conhece a língua portuguesa e que ao achar conveniente citar um conterrâneo, escolheu Pablo Escobar. Podia ter escolhido Garcia Márquez, mas cruzes!, esse é de esquerda, ao passo que o rei das drogas foi um prócer de direita conservador.

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Não pensem que sou xenófoba. Ou que acho que só o nativo de um país pode aprender sua língua corretamente. Longe de mim tal estultice. Sou professora de inglês e sei que um dos escritores que mais dominou a língua de Shakespeare foi um polonês, Joseph Conrad, que só aprendeu a falar inglês aos 20 anos.

Não resta dúvida que o Brasil precisa – e com urgência – encaminhar propostas de peso para desenvolver um bom sistema escolar que leve nossas crianças a se alfabetizar, a saber ler e escrever, a interpretar textos, a se familiarizar com as quatro operações e a reconhecer, de uma só olhada, as formas geométricas que dominam a natureza. Mas com o Vélez Rodriguez no manche, isso está se tornando cada vez mais difícil.

Segundo a revista – e com ela eu concordo – Bolsonaro ainda não se deu conta da importância do cargo que ocupa. Não respeita a liturgia do cargo, carrega os “zeros” para onde vai, parece que tem medo de andar desacompanhado, respeita com fervor as opiniões de seus garotos que são, e isso com muito boa vontade, pessoinhas que têm como exemplos três entes assustadores: Jair Bolsonaro, Olavo de Carvalho e Donald Trump.

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A ‘The Economist’ conclui seu artigo dizendo que os democratas brasileiros não devem torcer pelo impeachment de Bolsonaro. Que ainda é muito cedo para isso. Mas adverte: “se ele não parar de provocar, seu mandato será curto”.

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa é professora e tradutora, escreve semanalmente para o Blog do Noblat desde agosto de 2005.

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