Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia
Noblat Por Coluna O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

O salto tríplice carpado de Jucá

Mais um que abandona Temer atrás de votos

Por Ricardo Noblat 28 ago 2018, 09h00

O de Renan Calheiros foi um salto simples, se comparado ao que deu, ontem, seu colega de Senado Romero Jucá (PMDB-RR). Tendo votado para derrubar Dilma Rousseff, Renan saltou em seguida para o lado do PT à caça de votos para se reeleger. Alegou que sempre fora de esquerda desde que ingressara na política.

O de Jucá, não. Foi um perfeito salto tríplice carpado, daqueles capazes de deixar de boca aberta os mais cínicos observadores da política nacional. Ameaçado de não se reeleger, um dos principais artífices da operação Estanca Lava Jato e da ascensão de Michel Temer ao poder renunciou ao cargo de líder do governo no Senado.

Jucá não é de renunciar a nada. Senador por Roraima desde 1995 foi vice-líder do governo Fernando Henrique, depois líder do governo Lula, ministro de Lula e ministro de Temer. Saiu do ministério delicadamente enxotado por Temer, uma vez que a Lava Jato estava no seu encalço. Em troca, virou líder do governo.

Responde a mais de uma dezena de processos na justiça, mas por enquanto não parece preocupado com isso. O que o preocupa é não voltar ao Senado – e não voltando, ficar mais vulnerável às investigações ao seu respeito. Então rompeu com Temer a pretexto de discordar dele no caso dos refugiados venezuelanos.

Roraima está cheia de refugiados. A governadora é contra a presença deles, e com isso imagina se reeleger. Temer é contra o fechamento de fronteiras, e se não fosse elas continuariam abertas por decisão da Justiça. Jucá passou a pregar o fechamento das fronteiras. Assim construiu a plataforma para dar o salto que deu.

Se for bem-sucedido, não surpreenderá ninguém ao reconciliar-se com Temer. Ou se vier a ocupar algum cargo no próximo governo, seja o governo que for.

Continua após a publicidade
Publicidade