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No Brasil, a solução dos problemas é dormir e esperar que melhore

O maior inimigo contra o país é a inércia do brasileiro, mostrada pelo tempo

Por Thiago de Aragão 25 mar 2018, 14h00 | Atualizado em 25 mar 2018, 14h00
No Brasil, a solução dos problemas é dormir e esperar que melhore Priorizar nos meus resultados Google

O tempo é implacável no Brasil. Ele faz com que qualquer coisa importante, potencialmente revolucionaria caia no esquecimento e seja atropelada pela avalanche do nada e pelo tsunami do conformismo. A trágica morte da vereadora carioca Marielle recebeu uma atenção tipicamente brasileira quando há revolta pelo ocorrido: voluntariosa, enérgica e impactante.

Mas o maior inimigo contra o país é a inércia do brasileiro, mostrada pelo tempo. Amanhã lembrarão menos, semana que vem um pouco menos, até se pulverizar na mente coletiva e permanecer apenas entre aqueles mais próximos. Foi isso que ocorreu na tragédia da boate Kiss, nos assassinatos que ocorrem todos os dias, no “legado” olímpico, no “legado” da Copa do Mundo, na refinaria de Pasadena, entre tantos outros fatos.

No Brasil, o tempo nos mostra a prisão do conformismo e parece dar a impressão de que algo negativo foi solucionado, somente porque não foi mais mencionado. Nossa relação com os problemas, enquanto nação, é a de “dorme que melhora” e depositamos no esquecimento coletivo a sensação de que algo foi feito.

Na morte da vereadora, as munições usadas foram roubadas em 2006. Na tragédia da boate Kiss, os responsáveis estão livres e nada foi feito. Quantas boates no Brasil permanecem “inflamáveis” à espera de uma catástrofe? Oriundo das Olimpíadas, o velódromo (??!) está abandonado. O capim e a sujeira foram as soluções já esperadas pelos organizadores, construtores, turistas e moradores do Rio. Todos dedicaram ao tempo e ao vento a manutenção de mais esse desperdício.

O desperdício está longe de ser apenas financeiro. Bem mais importante do que isso é o desperdício de oportunidades para gerar a mudança. O assassinato de Marielle não mudará a forma de atuação das forças de segurança contra grupos de extermínio. O tempo cuidará disso da sua forma. A tragédia da boate Kiss não garantirá novas normas na segurança das boates (por mais que um Projeto de Lei tenha sido aprovado). Continuaremos a ter casas noturna de quinta categoria, tanto em nível quanto em segurança. Não aprenderemos com os elefantes brancos dos estádios da Copa, nem com o velódromo do Rio de Janeiro.

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Se estamos brigados com o tempo, a única forma de trazê-lo para o nosso lado é usá-lo para mudar as coisas. O Brasil não se reinventa por preguiça, não gera grandes mudanças porque todos aprenderam a viver da forma que está. No caso mais recente, a de Marielle, enquanto sua morte for utilizada como plataforma de discurso, de um lado contra o outro, seguirá sendo uma luta inútil e fomentadora de novas tragédias. A luta bem-feita não é a de “coxinhas” contra “mortadelas”, mas a de cidadãos de bem contra bandidos e da sociedade contra o conformismo.

Thiago de Aragão é sócio e Diretor da Arko Advice, Pesquisador Associado do think tank britanico Foreign Policy Centre e do think tank francês IRIS (Institut de Relations Internationales et Strategiques) 

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Estádio de futebol lotado com bandeira do Brasil e bola no campo, e um jogador de camisa amarela comemorando. À direita, capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas flutuando sobre fundo verde escuroTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um pequeno ícone de árvore branca no canto inferior direito
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