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Messi

O craque tinha uma expressão tão apavorada, tão angustiada, que fiquei comovida e praticamente sentindo a dor dele

Por Maria Helena RR de Sousa 22 jun 2018, 14h00 | Atualizado em 22 jun 2018, 14h00
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Leio no Globo de ontem, 21 de junho, um comentário do psicólogo argentino Miguel Espeche que me deixou especialmente preocupada:

“A torcida argentina é bastante infantil, parece mesmo uma criança exigindo a Copa do Mundo a seus pais. Quando essa demanda se frustra, o jogador é julgado moralmente, quase crucificado”.

Frase que explica o semblante de Leonel Messi antes do jogo de ontem, durante a execução do hino argentino. O craque tinha uma expressão tão apavorada, tão angustiada, que fiquei comovida e praticamente sentindo a dor dele. Sim, dor, porque era nítido que aquele jovem estava sofrendo uma dor insuportável.

Dor física? Não, claro que não. Mas quem garante que dor física dói mais que dor emocional?

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No Clarín de ontem, li o seguinte na coluna do cronista esportivo Hector Gambini:

“Esta coluna não fala de Messi, porque ele não esteve em campo. E pega mal falar dos ausentes”.

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Que tal esse colunista?

Já o técnico Jorge Sampaoli falou, sim, de seu maior e melhor jogador: “Quando Messi faz gol com a camisa argentina, gritamos todos e nos sentimos parte. Quando não faz, não ganhamos e a culpa é dele. É muito cômodo para todos que só um jogador seja responsável. Ele é o melhor do mundo, pode mudar um jogo, mas não pode ser responsável por um fracasso”.

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Não é preciso entender de futebol para concordar com o técnico argentino: Messi é tão responsável pela vitória como pela derrota.

Não sei se ele é o melhor jogador do mundo, não entendo nada de futebol. Sou daquelas torcedoras de quatro em quatro anos. Mas sou mãe. E se visse em meu filho um olhar vazio e trespassado de angústia como o olhar de Messi antes, durante e depois do jogo Argentina/Croácia, entraria em estado de alerta.

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Espero que as mães argentinas sintam o mesmo que eu e que se revoltem contra uma imprensa esportiva passional e cruel. Deixem Messi em paz, respeitem sua emoção e seu momento.

A Copa do Mundo é um evento esportivo simpático e que une povos. Mas é só isso. Não tem nada a ver com patriotismo ou com amor à Pátria. Nada.

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Já está mais do que na hora da América Latina amadurecer…

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa é professora e tradutora, escreve semanalmente para o Blog do Noblat desde agosto de 2005. https://www.facebook.com/mhrrs  

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