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Lula e a Web ideológica

A recomendação da ONU veio de um órgão sub-sub do Conselho

Por Ruy Fabiano 1 set 2018, 10h00 | Atualizado em 1 set 2018, 10h00
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A suposta intromissão da ONU nas eleições brasileiras, em defesa de Lula, faz parte do arsenal de trapaças com que o PT pretende legitimar e dar conteúdo moral à postulação de um presidiário ao cargo de presidente da República.

O que aqui chegou em nome daquela entidade – e ganhou ampla difusão midiática – não merece (por não tê-la) a grife das Nações Unidas e nem é do conhecimento de sua cúpula.

Tratou-se de uma recomendação de dois integrantes de um escritório assessor do Comitê de Direitos Humanos – um subcomitê – que possui 18 membros, 16 dos quais nem sequer foram ouvidos.

Não se pode confundir o Comitê com o Conselho de Direitos Humanos – este, sim, órgão de alto nível, formado por diplomatas de 47 países e que se reporta à Assembleia Geral da ONU, órgão máximo da entidade. E esse Conselho não foi cheirado nem ouvido sobre o assunto – e fez questão de deixar isso claro.

A recomendação, portanto, veio de um órgão sub-sub do Conselho – e mesmo esse órgão sub do sub manifestou-se por apenas dois de seus 18 membros. Pouco mais que nada.

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Ainda que a recomendação fosse da própria Assembleia Geral, o que é impensável, o Brasil não estaria obrigado a aceitá-la.

Se o fizesse, estaria negando todo o seu ordenamento jurídico e desautorizando o seu Judiciário – e, claro, reconhecendo a inocência de Lula, prestes a receber mais uma condenação, restando-lhe ainda mais seis processos. Lula é qualquer coisa, menos inocente.

O pessoal do PT, à frente o ex-chanceler de Lula, Celso Amorim, fabricou a encenação, assim como antes o fizera em relação ao Papa, alegando que este havia mandado um terço, bento por ele próprio, para Lula. Outra mentira. O terço efetivamente fora bento pelo Papa, mas não com essa destinação específica, embora os terços, de modo geral, sejam de fato recomendados aos pecadores.

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Nas lojinhas de souvenir do Vaticano, há dezenas de terços abençoados pelo Papa, para consumo dos turistas. Da mesma forma, as bênçãos papais são documento de fácil obtenção pelos fiéis e visitantes. Basta requerê-lo, inclusive pela internet.

Eles adornam as paredes de diversas residências de católicos em todo o mundo, em formato padrão. São de bom gosto gráfico.

O que dá a Lula esse protagonismo é a rede de partidos e organizações da esquerda internacional. Isso lhe permite que, não obstante sua degradada condição moral, consiga, numa mesma semana, ter artigos publicados em jornais como The New York Times e Le Monde, mesmo não tendo escrito nenhum deles.

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Não fosse essa gigantesca web ideológica – de que, diga-se, a ONU hoje faz parte -, o caso Lula estaria encerrado. Mas a encenação, percebida apenas por ínfima parcela da opinião pública, chega a servir de pretexto ao voto de ministros do STF, como ficou claro ontem na sustentação do voto de Edson Fachin, no TSE.

Mesmo reconhecendo a impossibilidade jurídica de Lula concorrer, Fachin invocou a “recomendação da ONU” para apoiar o registro de sua candidatura, o que é um contrassenso absoluto.

Se não pode ser eleito – e não pode, dada a Lei da Ficha Limpa e ao fato de estar cumprindo sentença -, não pode se candidatar, silogismo básico e irrespondível, que felizmente a maioria do TSE subscreveu na votação de 4 a 1, que pôs fim às pretensões do PT. Mas o partido não desistirá. Recorrerá ao STF.

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Lula, depois de dividir o país e bagunçá-lo, quer agora comprometer o próprio processo eleitoral.

Pior: não lhe falta apoio dentro das próprias instituições.

Ruy Fabiano é jornalista 

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