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O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Cuba – O puro exercício do arbítrio

Memórias do blog

Por Ricardo Noblat
3 fev 2018, 12h00 • Atualizado em 3 fev 2018, 12h00
  • (Texto publicado em 03.02.2012)

    A gente se acostuma com tudo. Até com as coisas mais absurdas, a ponto de esquecer de indagar por que elas são assim e não de outro jeito.

    Alguém por aqui conhece a razão oficial para que a saída e o retorno de um cubano ao seu país dependa de autorização do governo?

    (O governo negou autorização para que a blogueira Yoani Sánchez visite o Brasil a convite. É a 19a. vez que Yoani é proibida de sair de Cuba.)

    Não, não vale alegar que Cuba é uma ditadura. E que, portanto…

    Quando me refiro à “razão oficial” quero dizer: a razão invocada pelo governo cubano.

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    Certamente não será: “porque somos uma ditadura”.

    Jamais uma ditadura se reconhece como tal.

    Falei há pouco por telefone com o ex-ministro José Dirceu de Oliveira, amigo do governo cubano e hóspede dele quando foi obrigado a se exilar durante a ditadura militar de 64.

    José Dirceu desconhece a “razão oficial”.

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    Falei há pouco por telefone também com o escritor Fernando Moraes, autor do célebre “A Ilha”, livro lançado em 1976 e que fez um estrondoso sucesso.

    Fernando desconhece a “razão oficial”.

    Vai ver que não existe “razão oficial”.

    Não faz sentido imaginar que exista o temor de que um cubano aproveite viagem a outro país para transferir dinheiro guardado em segredo.

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    Ninguém ganha em Cuba o que mereça ser expatriado.

    Não faz sentido imaginar que o governo tema ser alvo de críticas de um cubano que só viajou porque ele permitiu. Depois de 53 anos da revolução, uma crítica a mais não abalará o regime.

    De resto, se um cubano viajar e falar mal do governo lá fora, naturalmente não desejará voltar. E não lhe deixarão voltar.

    Razão econômica não existe. Nada custa ao governo conceder visto de saída. Pelo contrário. Ele até ganha uns trocados com isso.

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    Sobra um motivo: o exercício do arbítrio em estado puro.

    O governo reafirma o poder que detém sobre a vida dos seus governados, premiando com autorização para que viajem os bem comportados e incapazes de lhe criar problemas.

    Não é o caso de Yoani, reconhecida crítica do regime.

    Porta-vozes do regime cubano garantem que ela frequenta com assiduidade o escritório do governo dos Estados Unidos instalado em um prédio de 12 andares cravejado de potentes antenas, no centro de Havana. O escritório não passaria de uma base de espionagem da CIA.

    A ser verdade, por que o governo não divulga imagens de Yoani entrando e saindo do prédio? Não haveria maior dano à imagem dela.

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