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Como ganhar dinheiro com o combate à corrupção

Por que Dallagnol não entrega o celular para perícia

Por Ricardo Noblat 14 jul 2019, 07h00 • Atualizado em 30 jul 2020, 19h34
  • A nova leva de mensagens trocadas por procuradores da Lava Jato  e publicada, hoje, pela Folha de S. Paulo em dobradinha com o site The Intercept, explica por que Deltan Dallagnol se nega a entrar seu celular à Polícia Federal para ser periciado.

    Parte dos segredos guardados na memória do celular começou a ser revelada, e deixa Dallagnol exposto à acusação de que ganhou ou de que tentou ganhar dinheiro com o combate à corrupção. Os diálogos dele com o colega Roberson Pozzobon são vergonhosos.

    Em um deles, de dezembro do ano passado, quando discutiam a montagem de um plano de negócios de eventos e palestras para lucrar com a fama e contatos obtidos durante as investigações da Lava Jato, Dallagnol escreveu:

    “Se fizéssemos algo sem fins lucrativos e pagássemos valores altos de palestras pra nós, escaparíamos das críticas, mas teria que ver o quanto perderíamos em termos monetários”.

    Antes, em conversa com sua mulher, o procurador havia informado:

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    “Vamos organizar congressos e eventos e lucrar, ok? É um bom jeito de aproveitar nosso networking e visibilidade”.

    A lei proíbe que procuradores gerenciem empresas e permite que apenas sejam sócios ou acionistas de companhias. Mas Dallagnol imaginou uma forma de contornar a lei: a empresa seria aberta em nome da sua mulher e da mulher de Pozzobon.

    “Antes de darmos passos para abrir empresa, teríamos que ter um plano de negócios e ter claras as expectativas em relação a cada um. Para ter plano de negócios, seria bom ver os últimos eventos e preço” – ensinou Dallagnol. Pozzobon respondeu:

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    “Temos que ver se o evento que vale mais a pena é: i) Mais gente, mais barato ii) Menos gente, mais caro. E um formato não exclui o outro”.

    Em 14 de fevereiro último, Dallagnol propôs que a empresa a ser aberta em nome da sua e da mulher de Pozzobon tivesse como responsável pela organização de eventos a dona da firma Star Palestras e Eventos, Fernanda Cunha.

    Ele sabia que a jogada era de risco. Tanto que disse a Pozzobon:

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    “É bem possível que um dia ela [Fernanda Cunha] seja ouvida sobre isso pra nos pegarem por gerenciarmos empresa”.

    Pozzobon respondeu em tom jocoso:

    “Se chegarem nesse grau de verificação é pq o negócio ficou lucrativo mesmo rsrsrs. Que veeeenham”.

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    Há mensagens de Dallagnol para o então juiz Sérgio Moro, o verdadeiro condutor da Lava Jato, aconselhando-o a ganhar dinheiro com palestras e a cobrar mais caro do que ele e Pozzobon pretendiam cobrar. Moro, de fato, fez palestras pagas.

    Dallagnol nega que tenha criado a empresa. Mas não nega a troca de mensagens a respeito com sua mulher e Pozzobon. Limita-se a repetir que não as reconhece e que elas podem ter sido adulteradas. É a mesma posição adotada por Moro.

    Fez bem o ex-juiz de ter pedido licença do cargo e embarcado para descanso nos Estados Unidos. Por sinal, ao entrar no avião, foi reconhecido e aplaudido por passageiros.

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