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Caótico. Até o fim

Aqui se tomam decisões sem supervisão ou transparência

Por Elton Simões 25 jun 2018, 14h00 | Atualizado em 25 jun 2018, 14h00
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A gente até está tentado. A seleção é que não está fazendo a parte dela. Não entusiasma. Não apaixona. Não anima. Sinaliza não ser balsamo. E vai dando sinal que pode se transformar em mais uma pílula de vinagre que a gente tem que engolir. É a vida.

A gente fica sempre a perguntar porque tanto sofrimento. E vem todo tipo de explicação. As mais elaboradas apontam para conspirações. De esquerda. De direita. De centro. De tudo que é lado, enfim.

Até seria bom que houvessem as tais conspirações. Pelo menos poderíamos dizer que somos bons em algo. Que somos capazes de organizar e governar qualquer coisa. Que, no mínimo, atingimos algum objetivo concreto. Mas parece que até nossos desastres vem desorganizados.

Não que a gente tenha medo de mudar. Apenas escolhemos mudar o inútil. E tornar a vida mais diferente. País que escolheu a tomada de 3 pinos não pode mesmo se gabar de sua capacidade de tomar decisões razoáveis.

Dia sim, dia não, alguém fala da tal da governança. E seria até bom que a gente discutisse um pouco mais sobre isso, desde que seriamente. O país da tomada de 3 pinos ainda não entendeu que, sem governança adequada nada funciona. Nem mesmo os pinos da tomada.

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Aqui se tomam decisões sem supervisão ou transparência. No setor publico e no privado. Quando lá foi a última vez (se é que já aconteceu) que os sistemas de controle publico e privado funcionaram para prevenir ou pelo menos descobrir algo relevante? Puxando pela memória e excluindo as investigações contra corrupção, a gente vê muito pouco.

Conselhos de administração de empresas brasileiras parecem servir para tudo, menos para proteger o acionista. Não fazem estratégia, não previnem e muito menos controlam. Parecem jamais saber o que se passa. E, quando dà errado, nem consegue explicar.

Fazer negocio no Brasil é trilhar campo minado em cipoal de regulamentação onde simplesmente o único fator importante é a manutenção de uma boa relação com o Estado. Produzir, prestar serviço, ou dar emprego, é sempre secundário.

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A gente se acostumou ao caos. E passou a achar normal e desejável a ausência de resultados. Empresário tropical vive universo paralelo onde sonhos do passado e pesadelos do presente habitam caótico mundo sem sentido onde frustração, medo, e estratégias falidas, tornam sucesso apenas uma função de golpes de sorte. Caótico. Até o fim.

 

Elton Simões mora no Canadá. É President and Chair of the Board do ADR Institute of BC; e Board Director no ADR Institute of Canada. É árbitro, mediador e diretor não-executivo, formado em direito e administração de empresas, com MBA no INSEAD e Mestrado em Resolução de Conflitos na University of Victoria. E-mail: esimoes@uvic.ca .

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