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Candidatura sitiada

Alckmin tem motivos de sobra para se preocupar.

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin saiu das eleições municipais em 2016 com enorme cacife eleitoral, tendo à frente uma larga avenida para construir sua pretensão presidencial. Está confinado, agora, em um círculo de giz, não ultrapassando a casa de 8% nas pesquisas, como revelou o Datafolha. Pior: está estagnado nesse patamar há meses e vê concorrentes avançarem em redutos nos quais o PSDB sempre foi bem votado.

Sua situação é de quem está sob cerco. Há menos de dois anos elegeu 80% dos prefeitos paulistas, hoje teria apenas 16% de intenção de voto no estado, dividindo a pole position com o deputado Jair Bolsonaro. No Sudeste, que nas eleições passadas foi varrido por uma onda azul, tem apenas 11% de preferência do eleitor. É devorado por Álvaro Dias, na região Sul, e, à sua “esquerda”, pelo ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa.

Alckmin tem motivos de sobra para se preocupar.

Sem sequer ter dito “oi, sou candidato”, Barbosa já fincou estacas em redutos tidos como inexpugnáveis pelos tucanos. Nas grandes cidades alcançou 12% das intenções de voto, enquanto o presidenciável do PSDB tem apenas 6%. Entre os eleitores com nível superior essa diferença é ainda maior: 17% a 9%.

Joaquim Barbosa é impulsionado pelo mesmo fenômeno que colocava Luciano Huck com quase 10% nas pesquisas. Há um contingente expressivo do eleitorado com sede de renovação e em busca de alternativa. É cedo para saber se Barbosa é a resposta, mas, em função de seu histórico de vida, arranca bem colocado, com potencial de fazer estragos à montante e à jusante, nas candidaturas do centro e também nas de esquerda.

Não tenham dúvidas, Barbosa montará no cavalo encilhado, com o PSB na sua garupa. Se evidenciar expectativa de poder atrairá apoios até de onde não se espera.

O quadro do presidenciável tucano se complica pelo estado de guerra civil em sua principal base de apoio, dividida entre as candidaturas ao governo de São Paulo de Márcio França, do PSB, e João Dória. França já admite que em seu palanque estadual também haverá espaço para Barbosa.

O PSDB ainda não encontrou uma explicação lógica para o desempenho do seu presidenciável. A resposta pode estar no tipo de antipetismo que os tucanos praticaram mais recentemente, com forte carga conservadora e de ódio, cartão de visitas de Bolsonaro.

A perda de identidade do PSDB cobra agora seu preço.

Em 2016 o eleitorado puniu o PT. Tudo indica que agora quer punir o PSDB em quem depositou tantas esperanças e viu-se frustrado pela total falta de propostas, bandeiras e causas para o futuro do país, bem como por desvios de conduta de lideranças como Aécio Neves. Se for assim, o castigo não se limitará ao seu presidenciável.

Emparedado, Geraldo Alckmin pensa furar o cerco por meio da aproximação com o DEM de Rodrigo Maia e, no limite, com o MDB do presidente Michel Temer. Sem dúvida isto daria maior tempo televisivo e capilaridade nos estados. Mas a toxidade do MDB mais atrapalha do que ajuda. Além de ser uma solução com nenhum encanto, com a velha política e seus eternos atores. Insuficiente para reconciliar os tucanos com seus eleitores.

Hubert Alquéres é professor e membro do Conselho Estadual de Educação (SP). Lecionou na Escola Politécnica da USP e no Colégio Bandeirantes e foi secretário-adjunto de Educação do Governo do Estado de São Paulo 

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  1. Alberto de Araujo

    Hoje nem o FHC teria bons índices de popularidade. Não encarna o Novo.Sempre foi peferido pelo estado de São Paulo. Hoje, nem isso. Respingos da lava jato e tibieza nas posições políticas lhes tirou a confiança do brasileiro.Os líderes do PSDB perderam o brilho que tinham. Não houve renovação.

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