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O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Armas e Lágrimas

O capitão é inteiramente a favor do porte de armas pelos brasileiros.

Por Maria Helena RR de Sousa 15 mar 2019, 11h00 | Atualizado em 30 jul 2020, 19h54

A chacina da escola de Suzano requer solidariedade às vítimas e reflexão: falar em armar professores é um desatino. Armas devem estar nas mãos de policiais e militares que saibam usá-las para proteger cidadãos e retira-las de bandidos que atazanam o povo. ( Fernando Henrique Cardoso)

Fico aliviada ao ler a opinião do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Para ele a flexibilização do porte de armas no Brasil é o início da barbárie. Desgraça essa que nos espreita há algum tempo, da qual vimos escapando com alguma dificuldade. Até agora. Mas desde que os garotos Bolsonaro se tornaram figuras políticas importantes graças à posição de seu pai, o Brasil corre o sério risco de se tornar o herdeiro de Columbine.

O capitão Bolsonaro comentou estar satisfeito com a prisão dos assassinos de Marielle Franco, mas fez questão de dizer que está muito interessado em saber quem foi o mandante do atentado que sofreu em Juiz de Fora. Que aliás é um exemplo de como as armas não evitam as mortes: cercado por uma muralha de seguranças bem armados, levou uma facada que por pouco não o matou.

Mas o capitão é inteiramente a favor do porte de armas pelos brasileiros. E chegou a dizer aos jornalistas com quem tomou café da manhã anteontem que mesmo no Palácio da Alvorada dorme com uma arma em sua mesa de cabeceira… Estranho, não?

Leio um destrambelhado dizer que se a escola de Suzano tivesse um vigia armado, a tragédia teria sido evitada. Bulhufas. O assassino que entrou na escola dizendo que voltava ali porque queria voltar a estudar, diria o mesmo para o vigia que, evidentemente, não impediria sua entrada. 

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E em Realengo, RJ, armas teriam algum efeito defensivo? Alguém acredita nisso?
E em Goiânia?
E em Minas Gerais?
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E no Paraná?

 

E como evitar as brigas, os desentendimentos entre as pessoas que ao menor espirro podem pegar uma arma e atirar? Como aconteceu em Ceilândia, DF, onde um vizinho atira no outro e depois volta tranquilamente para casa a fim de continuar a assistir TV? Sem antes jogar sua arma na lixeira?

A vida passou a valer nada no Brasil. No bairro de Campo Grande, aqui no Rio, dois alunos se desentenderam num colégio e um esfaqueou o outro. 

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Armas para quê? Quando o ódio se vale de qualquer coisa para ferir, matar, acabar?

O Brasil virou o país das lágrimas. Muitas lágrimas, muita dor, horror dos horrores.

 

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa é professora e tradutora, escreve semanalmente para o Blog do Noblat desde agosto de 2005.  

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