Receba 4 Revistas em casa por 32,90/mês
Imagem Blog

Noblat

Por Coluna Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

A República familiar vence

Mais uma absurda e desnecessária confusão do governo

Por Mary Zaidan 17 fev 2019, 10h00 | Atualizado em 17 fev 2019, 16h12

Gustavo Bebianno fica, Bebianno cai, fica de novo, cai. O que menos importa é o destino do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, um aliado de primeira hora do então candidato Jair Bolsonaro, que se tornou coadjuvante de um roteiro explosivo protagonizado em dupla pelo papai presidente e o filho do meio, Carlos. Mais uma absurda e desnecessária confusão de um governo que adora promovê-las.

Em apenas um mês e meio – incluindo aqui os 16 dias de hospitalização depois da cirurgia de reversão da colostomia a que o presidente foi submetido -, o governo Bolsonaro se tornou um recordista ao avesso: é imbatível em atiçar incêndios, parte deles apagados pelos militares de plantão.

Já brigou com o mundo árabe ao anunciar a intenção de mudar a embaixada brasileira de Tel-Aviv para Jerusalém, com chineses e ambientalistas. Com educadores e Organizações Não Governamentais, sem nem mesmo avaliar o trabalho de cada uma delas. Até com a Igreja Católica. Em relação à imprensa, expõe uma rixa cotidiana fermentada nas redes sociais com uma infinidade de notícias falsas, insultos e xingamentos a jornalistas.

Na sexta-feira, foi a vez de o general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, tentar dar um basta nas ingerências do reincidente Carlos. Ativíssimo nas redes sociais, foi Carlos quem provocou desconfianças quanto ao vice-presidente Hamilton Mourão, insinuando que ele torcia pela morte do titular.

No caso de Bebianno, além de afirmar que o ministro mentira ao dizer que falara por telefone com o pai, colocou no ar um áudio em que Bolsonaro se nega a atender o auxiliar. Os militares foram à loucura, visto que a comunicação do presidente – de qualquer um – é inviolável e segue normas de segurança rígidas, rompidas pelo filhote.

Continua após a publicidade

Há um fato incontestável: Bebianno mentiu. Mentiu sobre o chefe, envolveu o presidente da Republica na sua mentira, o que é grave. Possivelmente para por panos quentes na suspeita de que quando presidia o PSL estivera envolvido com candidaturas laranjas utilizadas pela legenda para obtenção de recursos do Fundo Partidário. Mas se Bolsonaro entende que houve quebra de confiança e que demissão é a forma correta de punir, que o exonerasse de pronto.

Escolheu o caminho mais tortuoso. De ora manter, ora defenestrar o auxiliar. De quebra, minou a autoridade do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que na tarde da sexta-feira do cai-não-cai garantiu a Bebianno, em nome do presidente, que ele seria mantido. Sob Lorenzoni, homem-chave para negociar as pautas do governo com o Congresso, a primeira delas a indispensável e dificílima reforma da Previdência, vai sempre pairar a dúvida se ele fala ou não pelo chefe.

O episódio põe em cheque a mão-dupla que a lealdade exige e pode ainda constranger os demais integrantes do governo, eles também reféns de eventuais desagrados que possam causar aos filhos do presidente.

Continua após a publicidade

As peripécias de Carlos acabaram por ofuscar as que rondam o primogênito, senador Flávio Bolsonaro, investigado por crime eleitoral relacionado à compra de imóveis, enrolado com proteção a milícias e suspeições de cobrança de pedágio de funcionários de seu gabinete quando era deputado estadual do Rio. Já o caçula, deputado federal Eduardo Bolsonaro, responde processo por suposta ameaça a uma ex-namorada, Patrícia Lélis.

Por mais de 13 anos, o país assistiu ao PT se apoderar do Estado e misturá-lo a seu bel prazer com o partido, distribuindo fartura aos seus amigos de fé. Findo o domínio petista, Michel Temer até prometia, mas se enterrou na garagem do Palácio do Jaburu, ao receber o mui amigo Joesley Batista. Agora, Bolsonaro embaralha as funções de chefe de governo com as de pai, e, como sempre ocorre quando se quer conciliar o inconciliável, falha nas duas pontas.

Espalha gasolina em um ambiente inflamável por natureza, queimando pontes difíceis de serem reconstruídas. E entre o Planalto e a cozinha de sua casa, deixa clara a preferência pela inédita República familiar.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

OFERTA RELÂMPAGO

Digital Completo

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 29% OFF

Revista em Casa + Digital Completo

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 55,90/mês
A partir de R$ 39,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).