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A próxima fronteira

O caminho é o de tornar o Brasil um paraíso para empreendedores, facilitando tanto a burocracia quanto o intercâmbio com polos internacionais de inovação

Por Murillo de Aragão 18 jan 2018, 14h00 | Atualizado em 18 jan 2018, 14h00
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Em dezembro de 2017, mais de 11 milhões de brasileiros, entre 15 e 29 anos, não estavam estudando nem trabalhando. Essas pessoas representam um peso para suas famílias e para um país arcaico que, fora o fato de oferecer um sistema educacional de terceira categoria, reluta em enfrentar o desafio da Reforma Previdenciária.

Soma-se a esse quadro o desafio da eclosão da inteligência artificial, que, segundo o professor israelense de História Yuval Noah Harari, autor do best-seller “Sapiens”, vai desempregar e tornar não empregáveis milhões de trabalhadores.

Ora, se em países como os Estados Unidos, o Japão e a Coreia do Sul a questão preocupa, imagine no Brasil. Nosso país é pouco internacionalizado, mas altamente globalizado. E qual a importância disso para essa questão? Absorveremos o impacto das mudanças tecnológicas, como já fazemos com as redes sociais, a telefonia celular e o uso da internet, no entanto, essa absorção não resultará de imediato em inserção internacional no novo mundo.

Usamos as novas tecnologias, contudo nossa capacidade de inovar e de nos inserirmos na cadeia produtiva do setor é baixíssima. Como o futuro que se desenha é o de elevada utilização dessas novas tecnologias, o nível de empregabilidade de nossa mal preparada mão de obra poderá se agravar.

Não estamos absorvendo os jovens no mercado de trabalho e não estamos nos preparando para a quarta Revolução Industrial, a da inteligência artificial. Seremos, então, no futuro próximo, um imenso exército de inúteis?

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Harari acredita que a manutenção dos não empregáveis poderia ser feita por meio de um programa universal de renda mínima. Tipo um Bolsa-Família mundial. Programas de assistência social evidentemente serão adotados, mas não serão suficientes. O Brasil deve olhar para a frente e tentar minimizar os riscos que se apresentam, já que o futuro reservado para nós poderá abrir um abismo ainda maior entre nós e as economias avançadas.

O que deve nos salvar é que o mundo continuará a precisar das commodities brasileiras, só que dependermos apenas disso é medíocre.

Outro aspecto que deve aliviar o peso do nosso fracasso é o tamanho do mercado, que sempre será importante pelo desejo de consumir de nossa população. O problema é que ter uma economia que produz commodities e consome sem produzir nem inovar não é o melhor dos caminhos. Devemos retomar algumas políticas que fizeram o país avançar.

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Por exemplo, o que a Embrapa e a Embraer fizeram, respectivamente, para os setores agrícola e aéreo, deve ser observado e aplicado, com as devidas atualizações, em outros segmentos. Ambas as empresas resultaram de decisões políticas e de políticas industriais importantes e não expressaram somente o desejo de ampliar a intervenção na economia.

O caminho que considero essencial é o de tornar o Brasil um paraíso para empreendedores, facilitando tanto a burocracia quanto o intercâmbio com polos internacionais de inovação. Além, naturalmente, de endereçar a questão educacional, recapturar a universidade pública do Estado Corporativista (EC) e ampliar o acesso a linhas de crédito.

tecnologia, ideias, educação, informática, computação
(Pixabay/Pixabay)
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Murillo de Aragão é cientista político

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