Oferta Inédita: Assine por apenas 7,99
Imagem Blog

Noblat

Por Coluna Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

A loucura não é normal

O bolsonarismo já inventou o “governo ingovernável” e o protesto a favor

Por Hubert Alquéres 22 Maio 2019, 11h00 | Atualizado em 30 jul 2020, 19h43
A loucura não é normal Priorizar nos meus resultados Google

A canção Paciência, de Lenine, explica bem o momento em que vivemos. O Brasil não tem tempo a perder, mas Bolsonaro finge que é normal um presidente atentar contra a harmonia entre os três poderes ao divulgar em seu twitter mensagem com ataques ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal. Não satisfeito, repetiu a dose três dias depois, culpando a classe política pelos males do Brasil.

Nero tocava harpa enquanto Roma pegava fogo. Jair Bolsonaro usa o twitter para agredir as instituições da República, enquanto a economia vai ladeira abaixo e o otimismo se esvai. Em menos de cinco meses ofendeu as Forças Armadas, o Congresso, as universidades, a Suprema Corte e os milhares e milhares de brasileiros a quem chamou de “idiotas úteis”.

Por trás da aparente loucura, há lógica no ataque das centúrias bolsonaristas à sociedade organizada. A guerra contra o establishment, da qual o presidente é o maior cruzado, tem por objetivo substituir a democracia representativa por um modelo cesarista. Nele, o sistema centrado na autoridade de um chefe canonizado tem a missão de “regenerar a sociedade”.

O “Ave César” é estimulado pelo próprio presidente. Seu ministro de Relações Exteriores; o comparou a Deus. Nessa segunda, nosso César divulgou em seu facebook um vídeo de um obscuro pastor congolês, no qual o religioso diz que Bolsonaro, assim como Ciro, rei da Pérsia, foi estabelecido por Deus. Como só o demônio se opõe a Deus, o pastor aconselha os brasileiros a não se oporem ao ungido.

A insuspeita Janaina Pascoal, deputada eleita com dois milhões de votos, chegou a suspeitar da sanidade mental do mito, por ter divulgado ovídeo do pastor. A musa do impeachment acena sair do PSL por não achar normal quem estar no governo convocar manifestações, em vez de governar.

Continua após a publicidade

De fato, não vivemos tempos normais. O bolsonarismo já inventou o “governo ingovernável” e o protesto a favor. Nesse clima de radicalização, convocou manifestações para o próximo dia 26, com o objetivo de emparedar o Congresso e o Poder Judiciário. Provocou rachaduras na sua base social. Sua ala mais moderada se recusa participar da manifestação chapa branca, por considerá-la um tiro no pé, ou, quem sabe, na cabeça.

Até os quartéis estão rachados. De coronel para cima, os oficiais são contrários à convocação de atos. E de major para baixo são favoráveis. Era o que nos faltava, o Clube Militar ser um dos autores da convocação dos atos pró Bolsonaro. Voltamos aos tempos do tenentismo ou à década de 50, quando o Clube Militar era centro de agitação política?

Diante das fissuras, os bolsonaristas mudaram de alvo. Agora dizem que as manifestações serão contra os partidos do “Centrão”. É mais uma estultice. Esses partidos têm quase a metade dos deputados federais. Estigmatizá-los é o caminho mais rápido para a inviabilização da Reforma da Previdência.

Continua após a publicidade

Esse é o ponto. Historicamente, toda vez que houve um estado beligerante entre o Executivo e o Congresso, o próprio presidente se deu mal e o país foi arrastado para grave crise institucional. Isto esteve presente nas crises de 1961, de 1964 e nos impeachments de Collor e Dilma.

Na queda de braço estabelecida, a resposta do Poder Legislativo à tentativa de emparedamento tende a ser a de subtrair o papel do Poder Executivo, estabelecendo uma espécie de “parlamentarismo branco”. Isto pode até ser positivo por destravar as reformas Previdenciária e Tributária, mas amplia a desarmonia entre os poderes constituídos, o que não é bom para a democracia.

Voltando à música de Lenine. Já passou da hora de Bolsonaro parar de fingir que a loucura é normal e começar a governar. Antes que a paciência dos brasileiros acabe.

Publicidade
TAGS:

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Estádio de futebol lotado com bandeira do Brasil e bola no campo, e um jogador de camisa amarela comemorando. À direita, capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas flutuando sobre fundo verde escuroTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um pequeno ícone de árvore branca no canto inferior direito
OFERTA CAMPEÂ

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 29% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00) + Abril Signature Ouro, o novo programa de benefícios da Abril, que te dá acesso a descontos exclusivos e cashback em centenas de estabelecimentos.
De: R$ 55,90/mês
A partir de R$ 39,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$2,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).