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Noblat Por Coluna O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

À Espera dos Bárbaros (por Constantino Kaváfis)

A propósito de tudo o que está aí...

Por Ricardo Noblat Atualizado em 30 jul 2020, 18h54 - Publicado em 23 Maio 2020, 09h00

O que esperamos na ágora reunidos?

 

É que os bárbaros chegam hoje.

 

Por que tanta apatia no senado?

Os senadores não legislam mais?

 

É que os bárbaros chegam hoje.

Que leis hão de fazer os senadores?

Os bárbaros que chegam as farão.

 

Por que o imperador se ergueu tão cedo

e de coroa solene se assentou

em seu trono, à porta magna da cidade?

 

É que os bárbaros chegam hoje.

O nosso imperador conta saudar

o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe

um pergaminho no qual estão escritos

muitos nomes e títulos.

 

Por que hoje os dois cônsules e os pretores

usam togas de púrpura, bordadas,

e pulseiras com grandes ametistas

e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?

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Por que hoje empunham bastões tão preciosos

de ouro e prata finamente cravejados?

 

É que os bárbaros chegam hoje,

tais coisas os deslumbram.

 

Por que não vêm os dignos oradores

derramar o seu verbo como sempre?

 

É que os bárbaros chegam hoje

e aborrecem arengas, eloquências.

 

Por que subitamente esta inquietude?

(Que seriedade nas fisionomias!)

Por que tão rápido as ruas se esvaziam

e todos voltam para casa preocupados?

 

Porque é já noite, os bárbaros não vêm

e gente recém-chegada das fronteiras

diz que não há mais bárbaros.

 

Sem bárbaros o que será de nós?

Ah! eles eram uma solução.

 

 

Constantino Kaváfis (1863-1933), poeta grego.

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