Um belo dia, por qualquer razão, a epidemia do novo coronavírus vai acabar. Seja porque teremos encontrado uma vacina, seja porque o tratamento terá se tornado banal, podendo ser adquirido em toda farmácia de esquina. As pessoas retornarão às ruas e lotarão os transportes públicos. Irão ao cinema e aos jogos de futebol. As praias ficarão cheias nos fins de semana. Tomara que sim.
Mas será que tudo voltará mesmo ao normal? E será que o que era normal antes será considerado normal depois? O fim de uma crise que não sabemos como se encerrará nos leva à certeza de que, no fim das contas, nada vai ser como antes.
Uma marca permanecerá nas famílias que perderam os seus. E também nos profissionais de saúde, que se sacrificaram para cuidar dos doentes, assim como tantos outros que trabalharam correndo riscos. Já temos milhões de desempregados e de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. Esta pandemia vai piorar a situação. Como enfrentar o que vem por aí?
Não se trata, obviamente, de uma pergunta fácil. Sabemos que, por enquanto, a era da austeridade terminou. Viveremos tempos de “banco imobiliário”, quando o governo distribuirá dinheiro de mãos abertas. Justo por isso precisaremos ter muito cuidado com as escolhas a ser feitas.
“Se gastar será inevitável para sair da crise, que o Brasil gaste bem com saúde, segurança, educação e infraestrutura. E não com altos salários e mordomias”
Investimentos em infraestrutura deverão ser priorizados, urgente e obrigatoriamente, para evitar a explosão do desemprego. O bom é que necessitamos bastante de ferrovias, hidrelétricas, estradas, hospitais, escolas, portos e habitação. E dispomos de capacidade técnica para construir tudo isso.
Precisamos sanear e urbanizar as favelas e as comunidades carentes, só assim empregaremos milhões de brasileiros. Teremos de levar o Estado aonde ele não chega de maneira efetiva. Teremos de reduzir a desigualdade social e o Estado deverá funcionar de forma mais eficiente e menos onerosa.
Os brasileiros descobriram como precisam do Sistema Único de Saúde. Vale lembrar o que disse Boris Johnson, primeiro-ministro inglês, quando deixou o hospital já curado da Covid-19: o sistema público de saúde do Reino Unido é o coração pulsante da nação. Por aqui, o Brasil tem de cuidar do nosso coração pulsante.
Já que gastar será inevitável para sairmos da crise, que o Brasil gaste bem em saúde e segurança pública, educação e infraestrutura. E não em altos salários e mordomias. A política deve entender que a tolerância do brasileiro será ainda menor diante de escolhas erradas. O destino do país vai ser o que merecemos. E o que merecemos será decidido por nossas escolhas.
Publicado em VEJA de 22 de abril de 2020, edição nº 2683






![[RELAMPAGO] PAYWALL (728 x 90 px) Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo e branco, ao lado de Você pediu, a gente ouviu! em branco. À direita, capas de revistas e um celular com tela ligada, e um ícone de árvore à esquerda.](https://veja.abril.com.br/wp-content/uploads/2026/07/RELAMPAGO-PAYWALL-728-x-90-px.gif)
![[RELAMPAGO] PAYWALL - 328x79 Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo neon, acompanhado de um raio. Abaixo, Você pediu, a gente ouviu!. À direita, capas de revistas: SUPER com um copo de milk-shake, VEJA com paisagem e MUNDO ESTRANHO com carros. Um ícone de árvore estilizada no canto superior direito](https://veja.abril.com.br/wp-content/uploads/2026/07/RELAMPAGO-PAYWALL-328x79-1.gif)