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Mundialista Por Vilma Gryzinski Se está no mapa, é interessante. Notícias comentadas sobre países, povos e personagens que interessam a participantes curiosos da comunidade global. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Cunhadas, dinheiro, poder: como Harry e William se afastaram

Novos livros esquadrinham as vidas dos príncipes irmãos, mostrando como eles se desentenderam por causa do casamento a jato com Meghan

Por Vilma Gryzinski - Atualizado em 1 jul 2020, 10h07 - Publicado em 1 jul 2020, 08h09

Ela sonhava ser uma nova Diana, a princesa do povo. Adorada pelas massas, carismática, promotora de causas nobres.

Ele talvez sonhasse em ter uma mulher como a mãe que perdeu com apenas doze anos, na trágica morte em Paris.

Com as últimas etapas do confinamento chegando ao fim, Harry e Meghan voltam a entreter o povo com uma nova safra de livros dedicados a desvendar o que levou o príncipe e sua duquesa a praticamente romperem com a família real e irem morar nos Estados Unidos.

O timing não foi bom. A guinada na vida do casal praticamente coincidiu com a chegada à Europa do novo coronavírus, um buraco negro que devorou tudo a seu redor.

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Mas não deixou de ser produtiva. Harry e Meghan assinaram contrato com a mesma empresa que promove palestras de Barack Obama e Michelle (começando em 400 mil dólares) e Bill Clinton e Hillary (um pouco menos).

Como os duques de Windsor, a inevitável comparação do casal com os protagonistas do maior escândalo real em quase um século, Harry e Meghan estão morando de favor.

Um favor tremendo: depois de uma temporada no Canadá, os dois se mudaram para uma mansão de 18 milhões de dólares emprestada pelo produtor Tyler Perry, de quem se aproximaram via Oprah Winfrey.

A casa tem 18 banheiros e o pavoroso estilo novo rico americano que leva o dinheiro antigo a suspirar de exasperação.

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Mas Harry não pode reclamar. Aos 35 anos, ainda é sustentado pelo pai e não tem nada para oferecer ao mercado exceto o próprio nome. 

Mesmo assim, com restrições.

Os duques foram impedidos de usar a designação “real” depois que o palácio – ou seja, o mecanismo que rege a realeza – anteviu realisticamente que haveria exploração comercial.

Como seu tio bisavô, que reinou por menos de um ano como Eduardo VIII antes de abdicar para se casar com a americana Wallis Simpson, Harry virou outro depois que conheceu Meghan. 

A paixão – sinônimo de poder sexual exercido por uma mulher – o levou a queimar etapas para o casamento, provocando intervenções bem intencionadas não só de William como de Kate.

Isso é o que dizem os jornalistas Dylan Howard e Andy Tillett no livro Royals At War – Realeza Em Guerra.

Já se sabia, através das fontes palacianas que sempre  acabam filtrando informações para a imprensa, que Harry se ressentiu dos conselhos do irmão, interpretando-os como objeção a seu casamento com uma atriz americana.

“Ela (Kate) lembrou gentilmente que estava namorando uma pessoa com vida, história e carreira completamente diferentes, e que demandaria tempo, cuidado e atenção para que se integrassem”, dizem os autores.

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Qual o grau de credibilidade? Ao contrário da percepção corrente, os jornalistas que cobrem a família real podem tomar liberdades, mas não exagerar muito, sob risco de saírem desmoralizados diante do público e de seus competitivos colegas.

O fato é que Harry e Meghan se conheceram em julho de 2016 e em maio de 2018 protagonizaram um casamento encantador.

O inimitável cerimonial da realeza britânica, o vestido e a tiara da noiva, as roupas das convidadas, o desfile de carruagem aberta e outros atos públicos escondiam, segundo a revista Tatler, um drama de bastidores.

Kate, cuja filha Charlotte foi uma das damas de honra, queria que as meninas usassem meia-calça, segundo o figurino padrão. Meghan foi contra. Deu choque.

Numa família em que, no passado distante, noivas reais acabaram decapitadas, a briga da meia-calça foi uma das mais banais de todos os tempos.

Mas revelou o estranhamento entre as cunhadas, patente na linguagem corporal das duas nas poucas ocasiões oficiais em que dividiram a cena.

A ruptura entre irmãos e respectivas mulheres, um drama de muitas famílias sem coroa, foi oficializada quando Harry e Meghan saíram da fundação que tinham em conjunto, um projeto que deveria identificar a nova geração da família real com causas mais contemporâneas.

Meghan definitivamente não queria um papel de coadjuvante, a posição inevitável do “segundo casal” de quem se esperava, tacitamente, que cedesse lugar ao futuro rei e sua futura rainha consorte.

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Apelidada de “a duquesa difícil”, Meghan começava o dia às 5 da manhã, disparando emails para a equipe de assessores. 

O alto nível de pedidos de demissão nessa equipe demonstrou que as coisas não iam nada bem.

Menos conhecidos foram os gastos com tratamentos alternativos supérfluos, pouco comuns na família real, contabilizados no Realeza Em Guerra.

Seis mil libras em acupuntura, mais aromaterapia, massagens e a salgada conta de 33 mil libras (multiplique-se tudo por quase sete reais) por três dias num spa de luxo. 

Fora a reforma absurdamente cara, de mais de 17 milhões de reais, numa casa que ocupariam por pouco tempo.

“A transformação de Harry (em termos de gastos) foi um dos fatores fundamentais por trás da fissura profunda que se abriu entre ele e o irmão”, dizem os autores.

“Ela sabia o que queria”, diz a autora de outro livro, Georgia Campbell. “Agora conseguiu: uma vida de milionária em Hollywood”.

“Fez Harry perder os amigos. Ele é mais fraco. Apesar do sexo, ela vai fazer a vida dele um inferno”.

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Bem, não se pode dizer que a autora seja muito confiável, apesar de vocalizar o que muita gente pensa, sem ter coragem de dizer.

O poder da sedução sexual e o poder da imagem são forças imensas que movem o mundo das celebridades, inclusive reais, mesmo quando apenas subentendidas.

Persiste até hoje a ideia de o duque de Windsor, um ex-rei por vontade própria, virava um menino trêmulo diante da mulher. E ela tinha segredos de cama para mantê-lo assim.

Todos os membros da família real sumiram do mapa durante a pandemia. Inclusive o príncipe Charles, que teve a doença e poderia fazer alguns eventos públicos, mas não deu as caras.

A rainha de 94 anos e o marido, Philip, de 99, ficaram isolados no Palácio de Windsor, sob os cuidados de 24 funcionários divididos em duas equipes que  se alternam semanalmente.

Todos concordaram em não ver suas famílias para proteger do risco de infeção os dois idosos.

Agora, Kate e William começaram a reaparecer de forma cuidadosamente controlada, em situações onde podem manter uns quatro metros de distância dos interlocutores, dispensando as máscaras.

Ironicamente, Harry e Meghan, que poderiam começar a fazer o mesmo, estão na Califórnia, onde voltaram a ser impostas medidas de confinamento por causa do aumento de casos de coronavírus.

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Estão isolados, mas não silenciosos. Em agosto, sai o livro onde darão o seu lado.

Só o título já entrega o tema. Encontrando a Liberdade: Harry e Meghan e a Construção de uma Família Real Moderna.

Nele, “amigos” irão descrever como o duque e a duquesa de Sussex sofreram, foram discriminados e desviados de seus nobres projetos de salvar a humanidade.

A tática de colaborar com um livro sem que seu nome aparecesse foi usada por Diana, em plena guerra com o marido infiel.

Diana morreu no desastre de automóvel em Paris em 31 de agosto de 1997. Tinha 36 anos, dois a menos que Meghan.

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