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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

O governo do “muito barulho por nada”

Bolsonaro dirige um governo que entra em combustão espontânea entre seus próprios integrantes

Por Matheus Leitão Atualizado em 26 out 2020, 11h08 - Publicado em 26 out 2020, 10h34

O governo Bolsonaro é especialista em afogar-se em poça de água. Do nada, apareceu uma briga entre o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o ministro ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos. E, do nada, ela também desapareceu. Mas não sem antes uma forte repercussão do novo embate. 

Os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, saíram em defesa de Ramos. Os filhos do presidente defendem Salles. 

Mas por que eles brigaram? Salles tem sido um mau ministro cujo o custo dos erros tem sido enfrentado pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e o agronegócio exportador, que passam o tempo todo querendo provar que o Brasil protege sim a sua floresta.

  • Já Luiz Eduardo Ramos, apesar de nomeado, nunca foi vocacionado para a articulação política e claramente está sendo engolido em sua tarefa pelo experiente ministro das Comunicações, Fábio Faria, que vem de quatro mandatos consecutivos como deputado. 

    Se nenhum dos dois – Salles e Ramos – faz bem a sua tarefa, o melhor seria que ambos perdessem a briga. Mas o que está em jogo é a dinâmica estranha do governo Bolsonaro. De repente, a gestão entra em combustão ou porque essa entidade, “os filhos”, não gostou de alguma coisa, ou porque a outra entidade extraterritorial, “o Olavo”, também não gostou de algo. 

    No caso desta briga entre Salles e Ramos, ela surgiu quando já havia o desconforto na ala militar do governo com a forma como o general Eduardo Pazuello foi tratado na semana passada. Isso, no episódio da vacina chinesa, e a possibilidade da compra do imunizante pelo Ministério da Saúde. Ou seja, agora o desconforto aumentou.

    Há ainda a explicação mais plausível: eles criam conflitos para desviar a atenção de outros problemas mais urgentes. Ou criam situações de estresse para poder manter agitados os apoiadores radiciais. De toda forma, é assim que o governo anda. Ou não anda.

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