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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Demissão de Abraham Weintraub se torna ainda mais obrigatória

Ministro merecia cair por péssimo desempenho, mas a repetição da ofensa a ministros do STF o fará ter a saída de militante que ele tanto desejou

Por Matheus Leitão Atualizado em 15 jun 2020, 18h36 - Publicado em 15 jun 2020, 18h19

A demissão do ministro da Educação, Abraham Weintraub, se tornou ainda mais obrigatória depois que ele afirmou neste domingo, 15, que “já disse o que pensa desses vagabundos”. Ao novamente escalar na retórica, o ministro vincula diretamente o governo ao ataque de fogos de artifício disparados contra o Supremo Tribunal Federal (STF), que simulava um bombardeio.

A declaração de Abraham Weintraub a militantes bolsonaristas radicais se refere à reunião ministerial do dia 22 de abril, quando o ministro da Educação defendeu, nada mais, nada menos, que a prisão dos 11 ministros da mais alta corte do país. Weintraub é investigado em inquérito da Polícia Federal após o vídeo do encontro do primeiro escalão do governo federal ter se tornado público.

Depois dos fogos, o presidente do STF, Dias Toffoli, soltou nota em reação na qual disse, pela primeira vez, que há pessoas “do Estado” envolvidas nos ataques contra a corte. Disse o magistrado: “financiadas ilegalmente, essas atitudes têm sido reiteradas e estimuladas por uma minoria da população e por integrantes do próprio Estado, apesar da tentativa de diálogo [do] Supremo Tribunal Federal”.

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Jorge Oliveira, se solidarizou com o STF, o ministro da Justiça, André Mendonça, fez uma nota ambígua, enquanto o resto do governo silenciou. Ao repetir o xingamento de “vagabundos” contra magistrados, num encontro com bolsonaristas que defendem o ato de soltar fogos na direção do Supremo, o ministro da Educação se colocou novamente no foco.

A solução mais racional era demitir o ministro, o que está sendo estudado pelo Palácio do Planalto. Depois de uma administração considerada desastrosa por todos os especialistas que avaliam a gestão na Educação, sua saída deverá se concretizar por seu radicalismo. Interlocutores do governo dizem que será um ganho para o projeto político do ministro. Weintraub politizará sua demissão, em vez de ficar somente conhecido pelo péssimo desempenho na pasta.

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