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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

A resposta desastrosa de Lula

Ex-presidente falha em entrevista ao El País e é cobrado nas redes e por jornalistas

Por Matheus Leitão Atualizado em 23 nov 2021, 19h15 - Publicado em 23 nov 2021, 16h14

A entrevista do ex-presidente Lula ao jornal espanhol El País continua repercutindo, mas agora de forma negativa para o petista.

Em uma resposta desastrosa, Lula questionou a razão de Daniel Ortega não poder permanecer no poder na Nicarágua e o comparou à chanceler alemã Angela Merkel, que ficou 16 anos.

“Por que Angela Merkel pode ficar 16 anos no poder e Daniel Ortega não? Por que Felipe González (ex-presidente da Espanha) pode ficar 14 anos no poder? Qual a lógica?”.

O questionamento de Lula é um erro que deveria ser corrigido. Não há comparação entre o que acontece na Alemanha e o que acontece na Nicarágua.

A resposta do presidente bateu em um ponto sensível, porque ele tem mágoa de ter sido preso e ter ficado sem condições de disputar as eleições de 2018 contra Bolsonaro, por decisões da Lava Jato consideradas erradas depois e corrigidas pelo Supremo Tribunal Federal.

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Na verdade, Lula e o PT têm mantido o erro de elogiar ditaduras de esquerda.

A repórter inclusive fez uma excelente ponderação, interrompendo o líder das pesquisas no Brasil para o pleito de 2022. “Sim, mas Angela Merkel governou por 16 anos, Felipe Gonzalez por 13 na Espanha, e não mandavam nenhum de seus opositores para a prisão”.

Após o questionamento, Lula disse que não pode julgar o que aconteceu na Nicarágua. “No Brasil eu fui preso. Fiquei 580 dias na cadeia para que Bolsonaro fosse eleito presidente da República. Se Daniel Ortega prendeu a oposição para desfrutar da eleição, como fizeram no Brasil contra mim, ele está totalmente errado”, disse, tentando amenizar.

Lula precisa deixar mais claro seus pensamentos antes de dar outras  entrevistas. Nos dias de hoje, é inadmissível defender os absurdos que os cidadãos da Nicarágua estão vivendo.

Se quiser continuar ganhando votos rumo a 2022, o ex-presidente precisa admitir que falhou e pensar melhor no que vai dizer nas próximas oportunidades.

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