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Sara Winter negocia delação premiada com a PGR

Ativista participou de audiência nesta manhã para dar sequência à negociação, ainda em estágio inicial

Por Gabriel Mascarenhas Atualizado em 9 abr 2021, 07h53 - Publicado em 8 abr 2021, 17h46

A ativista Sara Winter, investigada por participação nos chamados atos antidemocráticos, bateu à porta da Procuradoria-geral da República para oferecer um acordo de delação premiada. Embora incipiente, a negociação já está em curso.

Na manhã desta quinta, 8, ela participou de uma audiência e tratou do tema com o procurador da República Aldo de Campos Costa, responsável pelo inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal para investigar o financiamento das manifestações consideradas inconstitucionais.

Sara, porém, não compartilhou suas pretensões apenas com a PGR. Ela avisou a outros alvos do processo que estava em vias de delatar. Nessas mesmas conversas, disse que, se conseguir firmar o acordo, pretende deixar o Brasil.

Recentemente, depois de uma temporada na cadeia, ela confidenciou a amigos que estava desiludida e que pretendia abandonar o ativismo. Não só isso: sentia-se abandonada. No final do ano passado, ela gravou vídeos em que se disse decepcionada com Jair Bolsonaro, de quem era uma radical apoiadora, e com a ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos).

“Tem horas que eu só queria gritar, gritar e gritar para alguém me ajudar, mas não existe esse alguém, sabe? Aí eu lembro e volto para os conselhos do meu psiquiatra e vou ter que levantar e vou ter que resolver os meus problemas. E não tem Bolsonaro para ajudar, e não tem Damares para ajudar”, desabafou Sara, chorando.

PRISÃO

Fundadora do movimento “300 pelo Brasil”, Sara chegou a ser presa pela Polícia Federal por sua atuação em protestos que, de acordo com os investigadores, atentavam contra os princípios democráticos. Atualmente, ela cumpre prisão domiciliar, monitorada por tornozeleira eletrônica.

O grupo chefiado por Sara protagonizou um dos episódios mais emblemáticos das manifestações que estão na mira do STF, ao organizar um acampamento na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em maio do ano passado, que durou cerca de um mês e meio. Parte dos participantes do acampamento pregavam o fechamento do Congresso e do próprio Supremo.

Perguntado sobre a pretensa delação, Costa afirmou que não iria comentar o assunto. Sara, no primeiro momento, negou que estivesse em negociação. Depois, pediu um tempo para se manifestar e disse que não tinha nada a declarar.

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