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O que Dallagnol falou sobre a Lava-Jato em reunião com senadores

Chefe da força-tarefa em Curitiba negou que procuradores tenham 'documentos invisíveis' e façam uso de grampos ilegais para escutas telefônicas

Por André Siqueira - Atualizado em 4 ago 2020, 11h58 - Publicado em 4 ago 2020, 11h53

Em uma reunião virtual realizada na segunda-feira 3 por senadores do grupo Muda Senado, o procurador Deltan Dallagnol , coordenador da Operação Lava-Jato em Curitiba, rebateu as declarações do procurador-geral da República, Augusto Aras, sobre a atuação dos membros do Ministério Público nas investigações conduzidas pelas forças-tarefas.

O encontro, que também teve a participação de procuradores de outros estados, como São Paulo, e representantes da Associação Nacional dos Procuradores da República, é o segundo promovido pelo Muda Senado em menos de uma semana. Na quarta-feira 29, os parlamentares se reuniram com Augusto Aras.

Segundo relatos de senadores que participaram dos dois encontros, Aras endossou, na quarta-feira, as declarações dadas na terça-feira 28, em uma live realizada pelo grupo de advogados Prerrogativas. Na ocasião, o procurador-geral da República pediu que o “lavajatismo não perdure” no Brasil e questionou as informações mantidas em sigilo pela Lava-Jato – de acordo com ele, o banco de dados da força-tarefa, de 350 terabytes, é superior ao de todo o Ministério Público Federal (40 terabytes).

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Aos senadores, Dallagnol afirmou que as declarações de Aras são inconsistentes. “O Dallagnol nos disse que não são 350 terabytes, são mais de 500, é ainda maior. Afirmou, também, que não sabe de onde o procurador Augusto Aras tirou a informação de que 50 mil documentos são opacos, invisíveis. Deltan nos garantiu que não existe este tipo de documentação”, disse a VEJA o senador Major Olimpio (PSL-SP). “Não deveria haver polêmica sobre este tema. Este número de 500 terabytes deveria ser motivo de comemoração. Mostra eficiência da operação, mostra que o trabalho tem sido bem feito”, acrescentou o líder do PSL no Senado.

Ainda segundo Olimpio, Dallagnol ressaltou aos senadores que as forças-tarefas não fazem uso de grampos telefônicos para escutas ilegais, mas, sim, de um equipamento adquirido em 2015, licitado, no valor de aproximadamente 15 mil reais, utilizado para a gravação do sistema interno do Ministério Público, destinado ao registro das chamadas realizadas e recebidas.

Os senadores aproveitaram a ocasião para dizer a Dallagnol que estão preocupados com o julgamento pelo Conselho Nacional do Ministério Público, marcado para o dia 18 de agosto, que pode afastá-lo da coordenação da força-tarefa em Curitiba. O Muda Senado estuda maneiras de inscrever parlamentares para se manifestarem em defesa do procurador.

Na avaliação de outros senadores ouvidos por VEJA, as declarações de Augusto Aras contra a Lava-Jato ocorrem porque o procurador-geral se sente “afrontado administrativamente” pela autonomia das forças-tarefas. Os parlamentares também veem na ofensiva contra a operação uma tentativa de macular a imagem do ex-juiz e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, que pode ser candidato à Presidência da República em 2022.

Nos bastidores, o Muda Senado aposta na mobilização da população e no apoio aos avanços na luta contra a corrupção para minar as pretensões de uma ala do Congresso Nacional que tenta instaurar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Lava-Jato.

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