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Bahia se firma como principal reduto de rejeição ao bolsonarismo no país

Enquanto a popularidade do presidente está em baixa no estado, o governador Rui Costa (PT) e o prefeito ACM Neto (DEM) possuem altos índices de aprovação

Por Redação Atualizado em 9 nov 2020, 17h46 - Publicado em 9 nov 2020, 17h43

As melhoras nos índices de aprovação que o presidente Jair Bolsonaro colheu desde que o governo federal passou a pagar um auxílio emergencial para aqueles que foram afetados pela pandemia de Covid-19 não refletiram em ganhos de imagem na Bahia. As últimas pesquisas de opinião ratificaram que o estado é o principal foco de rejeição ao bolsonarismo no país. Metade dos baianos consideram que o presidente faz uma gestão ruim ou péssima. Na capital Salvador, 62% rechaçam a administração federal.

Dados do IBGE apontam que a Bahia ficou só atrás de São Paulo e foi o segundo estado que mais recebeu o auxílio emergencial durante a pandemia, com 61,2% das pessoas beneficiadas. Uma pesquisa do Instituto DataPoder 360, divulgada em julho, mostrou que o presidente ganhou cinco pontos percentuais na sua aprovação, subindo para 27%. Mas, no estado, 50% dos baianos o rejeitam.

A situação de Bolsonaro é ainda mais grave em Salvador. Nenhuma capital rechaça tanto o governo do presidente quanto a cidade. O índice de 62% está dez pontos percentuais acima dos números registrados em Porto Alegre, a segunda capital que mais rejeita o bolsonarismo, segundo levantamento do Ibope divulgado em outubro.

Melhorar a imagem no Nordeste tem sido uma das prioridades elencadas por Bolsonaro para antes da eleição de 2022. Salvador é a quarta cidade com a maior proporção de eleitores no país, com mais de 1,8 milhão. Já a Bahia, com mais de 10 milhões de eleitores, é o quarto colégio eleitoral entre todos os estados brasileiros. Em 2018, o petista Fernando Haddad conquistou 72% dos votos na disputa de segundo turno contra o atual presidente. Bolsonaro ganhou em apenas quatro das 417 cidades baianas. Em Salvador, o presidente perdeu em todas as zonas eleitorais.

Os resultados das pesquisas apontam para tendências históricas que remetem a dois movimentos políticos de destaque no estado. Um deles é o petismo, hoje representado por dois personagens de atuação mais independente com relação ao diretório nacional do partido. Tanto o governador Rui Costa quanto o senador Jaques Wagner possuem capital político suficiente para tomarem escolhas próprias no estado, como no caso em que escolheram a major Denice Santiago para disputar a prefeitura de Salvador. Além disso, conseguem utilizar o respaldo que possuem junto à população local para antagonizarem em nível nacional com Bolsonaro. Costa bateu de frente com o bolsonarismo em diversas ocasiões, como se viu ao longo de toda a pandemia de Covid-19.

A outra força política no estado é o carlismo, encarnado hoje pelo prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM). A força política do neto de Antônio Carlos Magalhães, ex-governador da Bahia por três mandatos, aponta para a eleição no primeiro turno do vice de sua gestão, Bruno Reis (DEM). Durante a pandemia, ACM Neto também se tornou um adversário político de Bolsonaro por entender que o presidente estava atrapalhando na aplicação das medidas de combate ao novo coronavírus. A unificação do discurso de ACM e Costa mobilizou o eleitorado que aprova ambas as figuras políticas a ficar em lado contrário ao do presidente. Só em Salvador, Costa tem 63% de aprovação, enquanto ACM tem 73%, segundo o Ibope.

Em 2022, Costa e ACM estarão em lados opostos na disputa pela presidência, mas ambos caminharão contra o bolsonarismo. O governador já colocou seu nome à disposição para ser pré-candidato e tende a continuar junto do PT na corrida eleitoral. Já ACM é presidente do DEM, um partido de centro-direita que tem atuado em conjunto com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), um dos postulantes ao Palácio do Planalto. Nesta semana, personalidades do DEM também acenaram favoravelmente à candidatura do apresentador Luciano Huck (sem partido). Em entrevistas, Costa e ACM já manifestaram a intenção de formar uma frente democrática e suprapartidária para derrotar o bolsonarismo, mas nenhuma ação concreta foi tomada até agora nesse sentido. Se houver um entendimento, ele só deverá se manifestar num eventual segundo turno.

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