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Letra de Médico Por Cilene Pereira Orientações médicas e textos de saúde assinados por profissionais de primeira linha do Brasil

Você já ouviu falar de transplante de cabeça?

Um médico italiano garantiu que irá realizar o primeiro transplante de cabeça ainda deste ano. O procedimento é arriscado e dificilmente será bem-sucedido

Por Arthur Cukiert 21 abr 2017, 12h00

Recentemente, um médico italiano garantiu que irá mesmo realizar o primeiro transplante de cabeça em dezembro deste ano, em um cidadão russo. Como seria isto: segundo o médico, ele utilizaria um corpo de um doador e simplesmente conectaria a cabeça, seus vasos e a medula e, após um período em coma induzido, o novo ser humano acordaria falando e movimentando-se.

Entraves

Duvido que consiga autorização para isto. Não bastassem os problemas éticos envolvidos, existem também vários problemas técnicos. Isto não foi adequadamente estudado em animais de laboratório, não foi testado em primatas sub-humanos, e simplesmente não faz sentido técnico algum. Em especial, não é possível conectar os sistemas nervosos de doador e recipiente.

Assim, mesmo que sobrevivesse, o recipiente não poderia utilizar o seu “novo corpo”; e o novo corpo também não poderia ser controlado pela “nova cabeça” para coisas simples, como por exemplo respirar. Sim, vamos esquecer este assunto de transplante de cabeça.

Futuro: interface cérebro-máquina

Mas há algo sobre o que podemos refletir. No homem, todo o esforço do trabalho conjunto dos órgãos é direcionado, em última análise, para a manutenção do bem estar do cérebro. Na última década, diversos laboratórios têm trabalhado em interfaces cérebro-máquina.

Os cientistas começam a descobrir com qual linguagem o cérebro comunica-se com os diferentes órgãos e é bem provável que nas próximas décadas esta linguagem seja suficientemente compreendida para ser reproduzida. Assim, poderemos controlar exoesqueletos com o “poder do cérebro”.

Não é difícil imaginar que muitos de nós estejam utilizando-se de exoesqueletos e órgãos criados em 3D no futuro não muito distante; começaremos possivelmente com aqueles com lesões medulares e derrames. Não é transplante de cabeça, mas vai ajudar muita gente.

 

Felipe Cotrim/VEJA.com

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