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Risco genético, informação e estilo de vida

Estudo da American Association for Cancer Research relacionou o risco genético e o estilo de vida saudável

Por Marcelo Bendhack 1 nov 2021, 15h42

Sabemos, e não é de hoje, que informação vale ouro, que tempo não é dinheiro (é vida!) e que, com o passar dos anos, envelhecemos. E não há nada de errado em envelhecer, desde que de forma saudável.

Uma campanha na Europa tem incentivado melhor informação para os homens sobre o câncer de próstata. A corrida é contra o tempo, tendo em vista também o envelhecimento acelerado. Em tempos de pandemia ficou ainda mais evidente e esclarecido que a vitalidade de nosso sistema imunológico é relativa à nossa idade cronológica, sobretudo a partir dos 60 anos, pois há um declínio acentuado na função imunológica que nos deixa vulneráveis a uma série de doenças oportunistas.

A iniciativa em promover boa informação abre espaço para além do esclarecimento sobre a patologia, possíveis sintomas e formas de diagnóstico. É um incentivo a mais para alertar para a necessidade de melhor qualidade de vida, especialmente, boa alimentação, redução do estresse, melhor qualidade do sono e promoção de atividades físicas regulares.

Em todo o mundo, os casos de câncer de próstata têm aumentado. Com o represamento das consultas presenciais ao urologista (e também a outros especialistas) em decorrência da pandemia de Covid-19, talvez este aumento de casos seja num futuro próximo ainda mais preocupante, pois a doença da próstata pode progredir silenciosamente, sem se manifestar durante vários anos. Sem uma conduta que instigue aos homens a procurar ajuda de um especialista, outro grande problema é o agravamento da doença: quanto mais cedo o câncer de próstata é diagnosticado, maiores são as chances de cura e melhor o processo de tratamento e bons prognósticos para os anos posteriores.

Por isso, todas as campanhas de conscientização são importantíssimas e estar bem informado faz toda a diferença. Primeiro porque os homens demoram muito para procurar ajuda médica, não são educados a fazer exames regularmente, como as mulheres que, desde a adolescência, fazem, pelo menos, uma avaliação anual com ginecologista.

No caso do câncer de próstata, estamos falando de uma doença que é a segunda principal causa de morte no mundo em homens acima dos 50 anos de idade. Mesmo hoje, com a medicina mais avançada, melhores diagnósticos e tratamentos. Mas não adianta apenas a permanente evolução da medicina e da ciência se não há prevenção – e campanhas contínuas que informem os homens da necessidade dos exames de rotina periódicos.

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Risco genético e adesão a um estilo de vida saudável

Além da prevenção e de campanhas de informação, outro dado a ser observado é o risco genético de cada indivíduo. Recentemente, a American Association for Cancer Research publicou um estudo (https://cancerres.aacrjournals.org/content/early/2021/07/29/0008-5472.CAN-21-0836) que relacionou o risco genético e o estilo de vida saudável, com base em 20 tipos de câncer. Nos grupos de risco genético, a adesão a um estilo de vida comportamental saudável foi consistentemente associada à redução de risco de câncer.

Uma das conclusões iniciais é que indivíduos com alto risco de câncer podem se beneficiar quando adotam um estilo de vida saudável — em síntese, se relacionam a fatores de comportamento. A avaliação considerou alguns aspectos, como não fumar, não consumir álcool, ter IMC moderado (índice de massa corporal entre 18,5 e 30), dieta saudável (maior consumo de frutas, vegetais, grãos, peixes e menor quantidade de carnes vermelhas e processadas) e prática regular de atividade física — 75 minutos de atividade vigorosa por semana ou 150 minutos de atividade moderada por semana (ou uma combinação equivalente).

No estudo, foram avaliados participantes de baixo risco, risco intermediário e alto risco genético. Um efeito conjunto de fatores genéticos e estilo de vida em relação ao risco geral de câncer foi observado em um período de cinco anos. Houve redução significativa de 7,23% para 5,51% nos homens e de 5,77% para 3,69% nas mulheres, em ambos os casos quando adotados estilos de vida favoráveis.

Embora ainda inconclusivo, o estudo demonstra ser preciso observar os fatores comportamentais como aliados na prevenção de doenças, independentemente do risco genético.

No futuro, a medicina personalizada pode incluir os riscos (comportamentais) genéticos e os indicativos apresentados pela epigenética. Ou seja, além do comportamento individual, levar em consideração os fatores externos que afetam nosso corpo, como os efeitos climáticos, a ingestão de medicamentos e o contato permanente com produtos químicos, por exemplo.

Letra de Médico - Marcelo Bendhack
./Divulgação
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