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Covid -19: o que está acontecendo com nossas crianças e adolescentes?

As evidências apontam que muitos jovens em quarentena estão ingerindo em casa mais alimentos calóricos e engordando mais que os pais

Por Claudia Cozer Kalil Atualizado em 20 ago 2020, 19h29 - Publicado em 20 ago 2020, 12h02

A pandemia trouxe uma nova rotina aos lares brasileiros. Famílias em casa, home office, ensino à distância, dificuldade de realizar as atividades domésticas, falta de exercício físico e muita monotonia. Preocupações com o risco de contaminação e adoecimento associado à situação financeira incerta tomam conta de todo o pensamento diário familiar. São muitos os sentimentos que se entrelaçam e várias vezes nos paralisam ou cegam. Importante enfatizar que esse período vai passar e em breve vamos retomar à vida normal, só não temos a data exata!

Os pais têm que lembrar que os filhos estão ainda em fase de formação e crescimento e os primeiros anos de vida são fundamentais para educação nutricional, formação óssea e muscular, crescimento estatural e desenvolvimento puberal.

E se antes da pandemia já estávamos vivenciando um aumento da prevalência da obesidade em crianças e adolescentes, o que será que vamos encontrar após esse período longo de confinamento? As evidências apontam que muitos jovens em casa estão ingerindo mais alimentos calóricos e açucarados, sem horários regulares para essas refeições, trocando a rotina do dia pela noite, aumentando o hábito de beliscar durante todo o dia, consumindo mais produtos industrializados e ultra processados e menos frutas, legumes, verduras, cereais. Cada vez mais, comer para satisfazer as necessidades fisiológicas de fome e saciedade tem perdido espaço para escolhas alimentares que tem como objetivo vivenciar uma atividade de lazer, pela falta de programa ou do que fazer. Ouvi essa semana uma jovem que disse: o que fazer em casa? Ou como ou durmo!

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Muitos estão vivendo como se o sentimento de angústia e incerteza do momento em que estamos passando pudesse ser compensada com prazeres intermináveis e insaciáveis de comer e como se os exageros, muitas vezes aceitáveis dos fins de semana, agora pudessem ser estendidos para todos os dias da semana. A rotina alimentar na pandemia entrou num eterno período de férias e parece ter virado a única “solução” para lidar com esse desanimo que estamos vivendo.

É verdade que parte dessa falta de energia provém das alterações dos níveis de hormônios cerebrais (diminuição dos níveis de serotonina e outras endorfinas que são responsáveis pelas sensações de prazer), mas não podemos atribuir à ingesta alimentar como a principal solução para essa situação.

No mesmo momento em que todos os estudos apontam para o risco de maior da gravidade da infecção do Covid 19 em indivíduos com excesso de peso ou obesidade, estamos descuidando da saúde dos nossos jovens. Muitos já ganharam mais peso que os próprios adultos da casa!

Soma-se a esse problema, a falta de atividade física, mesmo que seja apenas de se movimentar. Estamos dando menos passos por dia que há 1 ano atrás, fazendo menos esforço muscular, menor exposição ao sol, mais tempo parados em frente a uma tela. Essa diminuição da movimentação física além de contribuir para redução das mesmas endorfinas cerebrais, aumenta o risco de perda de massa óssea e muscular, prejuízo no crescimento e aumento dos quadros depressivos.

Certamente, manter as regras e limites nessa fase é uma tarefa árdua para as famílias, mas a organização e disciplina são essenciais aos filhos. É fundamental que os pais criem uma “rotina atividades domiciliares”: hora do estudo, hora das refeições, hora dos lanches (e inclui nesse item hora de entrar na cozinha para buscar comida), qualidade dos alimentos (estipulando momentos específicos para guloseimas), hora de atividades (pular corda, subir e descer escadas, dançar, caminhar na rua, andar de bicicleta…), com engajamento na interação familiar, que ajudarão não só na saúde física e mental, como também para minimizar prejuízos quando retomarmos a rotina normal e ampliar satisfação na convivência em família. Assim, poderemos sair dessa saudáveis e fortalecidos!

Claudia Cozer Kalil
Ricardo Matsukawa/VEJA.com
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