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Isabela Boscov

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“Um Homem Comum”: Ben Kingsley é um monstro (em todos os sentidos)

Transbordando vitalidade no papel de um militar genocida da Guerra da Bósnia, o ator inglês duela com a fabulosa atriz islandesa Hera Hilmar

Por Isabela Boscov 3 dez 2018, 10h00 • Atualizado em 3 dez 2018, 10h00
  • Quando Ben Kingsley está em um dia bom, não é brincadeira acompanhá-lo em cena. Quando ele está num dia ótimo, é quase impossível – mas não para a jovem atriz islandesa Hera Hilmar, que instaura uma dinâmica fascinante com ele neste filme que é todo ele uma surpresa. Kingsley é o General, um ex-comandante sérvio da Guerra da Bósnia que os tribunais internacionais procuram por crimes contra a humanidade. Procuram mas não acham, já que o General é não só diligentemente protegido por ex-comparsas seus (como o sujeito brutal interpretado por Peter Serafinowicz, de A Espiã que Sabia Demais, em breves e eficientíssimas aparições), como também pelos populares sérvios que ainda o consideram um herói: um tipo com temperamento expansivo e colorido, o General adora circular pelo bairro em que está sendo escondido no momento e ir à quitanda, ao bar e à banca de jornais, como a que desafiar alguém a denunciá-lo. Em geral, colhe demonstrações de admiração ou afeto.

    Um Homem Comum
    (A2/Mares Filmes/Divulgação)

    De Tanja, porém, colhe temor: quando a empregada entra no apartamento em que o General acaba de ser instalado (ela não sabe que a patroa foi despejada em nome da “causa”), é submetida a um misto apavorante – e curioso – de interrogatório e exame corporal, que inclui uma chuveirada para revelar tatuagens que ela eventualmente possa ter escondido com maquiagem. Satisfeito de que Tanja não pertence a nenhuma organização empenhada em assassiná-lo, o General torna a moça propriedade sua, porque “um homem precisa de uma empregada” – e porque Tanja é bonita, tem uma juventude reinvigorante e também uma firmeza que o intriga. Inicia-se aí uma aproximação estranha, feita de tensões e distensões, que culmina numa viagem dos dois para que Tanja reencontre uma parte do seu passado – e então desemboca numa cena acachapante, filmada com uma economia que só faz redobrar o choque do espectador, e também o do General consigo mesmo.

    Um Homem Comum
    (A2/Mares Filmes/Divulgação)

    O diretor americano Brad Silberling, também autor do roteiro, é alguém em quem eu não suspeitava tamanhos pulso, vigor e originalidade: no cinema, ele fez filmes sentimentais como Cidade dos Anjos e Vida que Segue, e, na TV, que é seu território habitual, dirige e/ou produz e/ou escreve séries que tendem ao fofo (como Jane a Virgem) ou ao banal (como Reign). Um Homem Comum, portanto, é um ponto fora da curva que ele vinha traçando até aqui – e que ponto! Enxuto, intrigante e com um ritmo controlado com perícia, o filme tem algo de visceral para Silberling. Algo que encontrou plena resposta em Ben Kingsley, cuja combinação de precisão e vitalidade é uma coisa belíssima de ver, e em Hera Hilmar, que ataca seu papel com uma coragem – e uma disposição para medir forças com seu tremendo companheiro de cena – que, merecidamente, já a colocou na mira de gente como Steven Knight (de Peaky Blinders, que a escalou para a série See, ainda em produção), Peter Jackson (que a pôs em Máquinas Mortais) e Matthew Weiner (o criador de Mad Men, com quem ela fez The Romanoffs, que há pouco estreou na Amazon).

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    UM HOMEM COMUM
    (An Ordinary Man)
    Estados Unidos/Sérvia, 2017
    Direção: Brad Silberling
    Com Ben Kingsley, Hera Hilmar, Peter Serafinowicz
    Distribuição: A2/Mares Filmes
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