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O trailer de “Missão: Impossível”: o que é isso???

No seu sexto filme, que estreia em julho, a série com Tom Cruise pode ganhar ainda mais fôlego (se possível)

Já tenho idade suficiente para saber que em trailer não se acredita: treino é treino e jogo é jogo. Mas a missão dos montadores de trailers é fazer a plateia confundir uma coisa com a outra e achar que a parada está ganha antes mesmo de começar. Neste caso em particular, vou me dar por vencida e pecar pelo otimismo: os dois últimos Missão: Impossível foram tão bons, e o trailer deste sexto capítulo da série é tão espetacular, que a prudência parece desnecessária. Muitas das peças que funcionaram tão bem no filme anterior, Nação Secreta, estão no mesmo lugar em Missão: Impossível – Efeito Fallout, que deve estrear aqui em 26 de julho: Tom Cruise (óbvio), seus colegas Ving Rhames e Simon Pegg, seu chefe Alec baldwin e sua femme fatale Rebecca Ferguson (cujo personagem tem o nome delicioso de Ilsa Faust). Mais ao ponto, a direção de novo é de Christopher McQuarrie. Aí, uma observação: o trabalho excelente de McQuarrie em Nação Secreta foi uma surpresa, já que ele pode ser um diretor e/ou roteirista pesadão (como em Operação Valquíria e Jack Reacher, ambos também com Cruise). Mas é só ele acertar a mão de novo e cenas fabulosas como a da luta entre Cruise e Henry Cavill, que está no trailer, não vão ser caso isolado.

Clique no vídeo abaixo para ver o trailer, e leia a resenha publicada quando Nação Secreta estreou nos cinemas:


4 é Pouco, 5 é Bom…

…e nunca é demais: na nova lógica do cinema, o que vale hoje em um filme é a sua marca, não o seu protagonista. Mas, no quinto Missão: Impossível, Tom Cruise demonstra que ainda há um lugar no mundo para os superastros

Ethan Hunt tem um probleminha: sobreviveu às atenções de um sujeito com inclinações sociopáticas e uma mala cheia de ferramentas afiadas, mas agora está ferido e sem recursos para retornar à segurança de sua agência, a Impossible Mission Force, ou IMF. Desesperado, liga para o colega William Brandt (Jeremy Renner) pedindo apoio. Brandt nada pode fazer: a CIA convenceu o governo americano de que a IMF não passa de uma relíquia incômoda da Guerra Fria e não há mais lugar para os seus métodos no mundo de hoje. A IMF foi extinta, seus espiões foram absorvidos pela máquina burocrática da CIA e Ethan Hunt não apenas está sozinho no mundo como é considerado foragido: deve ser capturado ou, se resistir, morto. Ethan depende, portanto, de provar a existência de uma perigosíssima organização conhecida como Sindicato para demonstrar a necessidade da IMF e dele próprio, e assim impedir que as mesmas forças que o criaram venham a aniquilá-lo. Missão: Impossível – Nação Secreta  é elegante, dinâmico, vibrante e vigoroso. Sua trama, porém, é quase que uma alegoria do desafio que astros como Tom Cruise hoje enfrentam: os números insistem que eles se tornaram uma relíquia sem muita utilidade num mundo em que a marca do filme, e não o seu protagonista, é que atrai pagantes. Cabe a Cruise provar que sim, ainda há lugar para essa estirpe de superastros forjada nas décadas anteriores. Cabe demonstrar, sobretudo, que embora já não chame público como antes quando seu nome vem sozinho na marquise do cinema, seria impossível a uma franquia como Missão existir sem ele.

Missão: Impossível - Nação Secreta

 (Paramount/Divulgação)

Entre as vinte maiores bilheterias mundiais do momento, dezesseis estão ligadas a alguma série ou franquia. Titanic, o segundo da lista, não terá jamais continuação, por razões óbvias. Mas os outros três “filme-solo” logo abandonarão essa categoria. Avatar, o recordista, tem três sequências planejadas, e Frozen 2 e Alice no País das Maravilhas 2 também já estão em produção. No jogo de apostas altíssimas que se tornou o cinema americano, no qual só a partir dos 300 ou 400 milhões de dólares de renda os blockbusters começam a pagar seus custos, todo material original, não testado em livro, quadrinho ou sala de exibição, é um risco frequentemente grande demais para ser encarado.

Missão: Impossível - Nação Secreta

 (Paramount/Divulgação)

Essa nova lógica estilhaçou alguns antigos pressupostos. Primeiro, foi-se o tempo em que as continuações iam diluindo ou pervertendo a premissa original até o ponto do ridículo: a marca é hoje o patrimônio mais valioso, e para protegê-la é preciso multiplicar sua potência a cada filme. Não é acaso que em seu sétimo episódio a franquia Velozes e Furiosos tenha disparado para o quinto lugar no ranking dos recordistas, com renda mundial de 1,5 bilhão de dólares: seus stunts ultrapassam todos os limites do absurdo, mas também da graça e da competência. O efeito mais visível dessa nova ordem, porém, está na forma como ela roubou aos superastros o seu poder. Mesmo quando uma franquia constrói um superastro, ela não transfere sua popularidade para os filmes em que o ator não tem o amparo de uma marca. Robert Downey Jr. catapultou Homem de Ferro para o clube do bilhão mas, no seu lançamento seguinte, O Juiz, colheu apenas 84 milhões de dólares. Johnny Depp é o exemplo drástico: ele foi a chave para os 3,7 bilhões de dólares dos quatro Piratas do Caribe, mas enterrou em prejuízo a ficção científica Transcendence e a comédia Mortdecai.

Missão: Impossível - Nação Secreta

 (Paramount/Divulgação)

Tom Cruise, portanto, tinha um probleminha: com seus filmes fora de franquia estacionados na casa dos 200 ou 300 milhões de dólares (pois é, hoje em dia isso é considerado estacionar), ele precisava provar que não é Missão: Impossível que o faz – é ele quem faz Missão: Impossível com sua coragem de se pendurar de aviões em voo e pilotar motos em altíssima velocidade (e, como um vídeo muito visto no YouTube mostrava, ele não usa mesmo dublês) e com sua determinação de burilar uma produção até que ela atinja a voltagem máxima. De fato, Nação Secreta é até melhor que o excelente filme anterior, Protocolo Fantasma, de 2011, já que à ação assombrosa o atual diretor, Christopher McQuarrie, alia uma elegância estilística diretamente inspirada em Alfred Hitchcock. Em uma maravilhosa cena na Ópera de Viena, no ótimo timing cômico de Simon Pegg ou na presença da sueca Rebecca Ferguson, que tem cara e porte de estrela da velha Hollywood, tudo está no lugar certo. Sobretudo Cruise, que pelo menos por ora deixa demonstrado que alguns astros ainda podem ser únicos e insubstituíveis.

Isabela Boscov
Publicado originalmente na revista Veja em 19/08/2015
Republicado sob autorização de Abril Comunicações S.A
© Abril Comunicações S.A., 2015

MISSÃO: IMPOSSÍVEL – NAÇÃO SECRETA
(Mission: Impossible – Rogue Nation)
Estados Unidos, 2015
Direção: Christopher McQuarrie
Com Tom Cruise, Simon Pegg, Jeremy Renner, Rebecca Ferguson, Sean Harris, Ving Rhames, Alec Baldwin, Simon McBurney, Jingchu Zhang, Tom Hollander
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  1. Ernesto Ribeiro

    MISSÃO ACEITA, CHEFIA. Aceitei e não me arrependi de ir ao cinema assistir as missões 1, 4, 5. Essa então vai ser um risco e tanto, pois é a primeira vez que um diretor repete a dose na série. Eu prefiro o Bryan Bird do episódio 4, “Protocolo Fantasma”. Mas a reencarnação de Alfred Hitchcock que o Christopher McQuarrie imprimiu em “Nação Secreta” faz por merecer um repeteco.

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