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Snowden – Herói ou Traidor

Sóbrio nas opiniões e exuberante só no jeito de filmar, Oliver Stone presta um ótimo serviço ao seu personagem

Equilíbrio não é uma virtude que se costuma esperar de Oliver Stone, mas a tribulação que virou a vida de Edward Snowden parece ter suscitado nele um certo recato. Assim, embora na vida civil Stone continue defensor de desastres humanitários como o chavismo venezuelano, atrás da câmera, em Snowden – Herói ou Traidor, ele resiste bravamente a inflamar e teorizar. O resultado é seu melhor trabalho desde Um Domingo Qualquer, de 1999: com suas tendências vitriólicas sob controle, sobressaem aqui suas qualidades inegáveis como narrador e cineasta.

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Em 2013, aos 29 anos, Snowden protagonizou o maior vazamento de informação de que se tem notícia na história americana. Escondido em um quarto de hotel de Hong Kong, ele passou ao blogueiro Glenn Greenwald (no filme, Zachary Quinto), ao repórter Ewen MacAskill (Tom Wilkinson), do jornal inglês The Guardian, e à cineasta Laura Poitras (Melissa Leo), que transformou o encontro no documentário ganhador do Oscar Citizenfour, provas extensas e irrefutáveis de que as agências americanas de Inteligência vinham vigiando Deus e todo mundo à vontade e de forma ilegal, desde seus próprios cidadãos até governantes estrangeiros. E-mails, posts privados, ligações e mensagens de celulares – nada estava a salvo da CIA ou da Agência de Segurança Nacional (NSA), para a qual Snowden prestava serviços à época. Snowden fora sempre um patriota, uma pessoa circunspecta e autodisciplinada e um rapaz com profundo respeito pela autoridade. Alistou-se nas forças especiais porque tinha desejo de servir ao país nas guerras pós-11 de Setembro. E, quando sofreu graves fraturas nas pernas que o impediram de continuar o treinamento militar, foi recrutado pela CIA ainda na cama do hospital – era um analista brilhante.

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Snowden, o filme, trata de como esse rapaz quieto e introvertido (belissimamente interpretado por Joseph Gordon-Levitt, com aquela sua capacidade inata de despertar empatia), nunca vacilou no cumprimento do seu dever patriótico. Sua concepção do que era esse dever é que mudou, à medida que os programas que ele mesmo criara iam sendo colocados a serviço de invasões digitais cada vez mais abrangentes, e as definições do que seria ou não juridicamente permitido iam ficando cada vez mais elásticas. Snowden decidiu delatar porque julgou que o acordo tácito entre cidadãos e governo – uns abririam mão de parte de suas liberdades individuais para que o outro pudesse garantir sua segurança – havia sido em muito ultrapassado, e grotescamente distorcido.

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A moderação com que Stone delineia essas transformações – a do país e a do protagonista – é vital para Snowden. Um tiquinho a menos de restrição, e o filme facilmente viraria um panfleto. Mas Stone deixa a exuberância só para a maneira de filmar. Sem sacrificar em nada a tensão e o envolvimento, e costurando o presente a flashbacks de fluência e destreza irretocáveis, ele consegue, com essa sobriedade, pôr em primeiro plano um drama muito mais próximo do espectador do que se tivesse feito de Snowden uma figura evangelizadora: sem nenhuma vocação para ser herói (ou mártir), seu protagonista teve de dar nós em si mesmo para fazer o que fez. Snowden tinha horror de trair, e nunca gostou de chamar atenção para si. Fez ambas as coisas por convicção e perdeu tudo que mais prezava em nome dela. Vive exilado na Rússia, com status jurídico indefinido (seu passaporte foi revogado quando ele fazia uma escala no aeroporto de Moscou, rumo à fuga para a América do Sul), servindo a Vladimir Putin como sapo atravessado na garganta dos Estados Unidos. Se voltar para casa, provavelmente será condenado por alta traição, crime que carrega a pena de morte. Vive escondido, não tem país, não tem carreira. Tem, talvez, o consolo de ter cumprido o que acreditava ser seu dever. Dizem que essa é uma satisfação que se basta em si mesma. Mas, caramba, é preciso ser valente para viver só dela.


Trailer

SNOWDEN – TRAIDOR OU HERÓI
(Snowden)
Estados Unidos/Alemanha/França, 2016
Direção: Oliver Stone
Com Joseph Gordon-Levitt, Shailene Woodley, Rhys Ifans, Nicolas Cage, Zachary Quinto, Melissa Leo, Tom Wilkinson, Ben Schnetzer, Joely Richardson, Timothy Oliphant, Scott Eastwood
Distribuição: Disney
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  1. Comentado por:

    Lulista

    Lula foi um visionário. Seu dedo mindinho decepado é uma relíquia que já curou doenças, fez gente andar, cego ver. Dizem que está guardado num templo da Etiópia, junto com a Arca da Aliança. Guardas petistas defendem o portão do templo, que ainda é eletrificado e pontudo.
    Sinceramente, acredito que Lula é a reencarnação de Cristo. Sigo uma vertente do cristianismo que chama-se lulismo. Rezamos sob um altar que sustenta uma estrela vermelha com uma cruzinha amarela no meio. Nas laterais do altar encontram-se São Miguel Arcanjo e São Jorge, mas o primeiro não empunha uma espada e sim uma foice, o segundo consequentemente segura um martelo. A igreja fica em São Bernardo.

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  2. Comentado por:

    Ernesto Ribeiro

    Ah, minha cara mestra Isabela Boscov , você não faz idéia do quanto eu me sinto FELIZ contemplando esta linda atuação de todas ESTAS estrelas:

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