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Por que os lutadores mexicanos usam máscaras?

  No México, conta-se que as máscaras de luta livre (lucha libre, em espanhol) são uma herança da cultura ancestral dos astecas. A afirmação é metade mentira, metade verdade. O esporte, que abusa de golpes coreografados e tem as partidas previamente combinadas, não surgiu no México, mas nos Estados Unidos. O primeiro mascarado foi o americano Mort […]

Por Duda Teixeira - Atualizado em 7 fev 2017, 10h48 - Publicado em 21 nov 2016, 16h10

 

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Pequeno Olímpico, que faz luta livre na Arena México, na Cidade do México, fotografado por Luiz Maximiano

Pequeno Olímpico, que faz luta livre na Arena México, na Cidade do México, fotografado por Luiz Maximiano

No México, conta-se que as máscaras de luta livre (lucha libre, em espanhol) são uma herança da cultura ancestral dos astecas. A afirmação é metade mentira, metade verdade.

O esporte, que abusa de golpes coreografados e tem as partidas previamente combinadas, não surgiu no México, mas nos Estados Unidos. O primeiro mascarado foi o americano Mort Henderson, que inventou o personagem do Herói Mascarado (Masked Marvel, em inglês), em 1915. Depois dele, outros usaram a mesma máscara, por períodos curtos.

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“O herói mascarado não era realmente um personagem, mas um truque”, escreve a antropóloga americana Heather Levi, que passou um ano e meio no México aprendendo luta livre e escreveu o livro The World of Lucha Libre, Secrets, Revelations and Mexican National Identity (Duke University Press).

 

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Psicosis, lutador de Lucha Libre, na Arena México, na Cidade do México, fotografado por Luiz Maximiano

Psicosis, lutador de luta livre, na Arena México, Cidade do México, fotografado por Luiz Maximiano

Nos Estados Unidos, porém, a máscara nunca alcançou a dimensão que tem no México, para onde a luta livre foi levada nos anos 1930. “Uma das coisas que pode explicar a disseminação das máscaras no México é que já havia algum apelo por lá. Várias expressões folclóricas populares usam esse recurso“, diz Heather, por telefone.

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O pioneiro com o apetrecho no México foi o lutador americano, Cyclone MacKay. Ele fez uma encomenda diferente ao sapateiro que fazia as botas dos participantes e pediu “um capuz, alguma coisa para colocar, tipo Ku Klux Klan ou algo do tipo”.

O segundo foi O Morcego (El Murciélogo, em espanhol), que abria um saco de morcegos dentro do estádio.

A onda se alastrou com a moda dos super-heróis mascarados dos quadrinhos. Em 1955, segundo Levi, dúzias de lutadores mexicanos já escondiam o rosto por trás de um pano colorido.

Hoje, a máscara é usada por entre metade e dois terços dos lutadores mexicanos.

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Quando ainda estão treinando para o ofício, eles já começam a desenhar suas fantasias e a pensar na peça que irão usar no rosto quando se tornarem profissionais. A preparação dura três anos. Depois de aprovados em um exame, eles registram o personagem e o nome de guerra em uma comissão. Isso, claro, pode mudar quando eles são contratados por uma empresa, as organizações que organizam os combates.

 

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Blue Panther, lutador de luta livre, na Arena México, na Cidade do México, fotografado por Luiz Maximiano

Blue Panther, lutador de luta livre, na Arena México, na Cidade do México, fotografado por Luiz Maximiano

Segundo os lutadores que não usam máscara, o motivo para que os outros a vistam é que eles precisam esconder a feiura. É uma provocação, claro. “Eu já vi o rosto de muitos mascarados e eles não são mais ou menos bonitos que os outros mexicanos”, diz Heather.

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Para que a tese fosse verdadeira também seria necessário que aqueles que não a usam fossem sempre agradáveis à vista, o que não é certo.

 

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A peça também dá um ar de mistério e de mágica aos que a utilizam. É como se eles não fossem desse mundo e tivessem poderes especiais. “Com as máscaras, o público sabe que não são tipos sociais se enfrentando, e sim toda uma cosmologia, que inclui deuses, forças da natureza, animais e super-heróis. É como se eles não fossem humanos”, diz Heather.

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A máscara, por fim, oculta a identidade real dos lutadores, o que pode ser útil quando eles ainda não alcançaram a fama. Muitos deles têm profissões triviais, são pedreiros ou camelôs. Participar na luta livre para eles é um complemento de renda ou uma maneira de ganhar alguma ascensão social ou, no caso das mulheres, escapar dos problemas familiares;

 

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Aproveitando: na luta livre, não se usa catchup, molho de tomate ou sangue de galinha para simular ferimentos. Em geral, são feitas incisões nas testas dos lutadores. Durante a luta, eles batem com força nos cortes recentes para abri-los. O sangue é de verdade. A porrada, não. “Lutadores às vezes ganham um dinheiro extra para sangrar”, escreve Levi.

 

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Evento de Lucha Libre na Arena México, na Cidade do México (Luiz Maximiano)

Evento de luta livre na Arena México, Cidade do México (Luiz Maximiano)

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