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Dá para ser budista e terrorista ao mesmo tempo?

  O primeiro e mais importante princípio de todo budista é abster-me de matar seres vivos. Muitos levam esse mandamento tão a sério que se tornam vegetarianos. Mas, em Mianmar, antiga Birmânia, o monge Ashin Wirathu, do grupo 969,  prega abertamente a violência contra muçulmanos. Duas centenas de pessoas já morreram nos conflitos desde 2013. Como explicar que […]

Myanmar’s radical Buddhist monk Ashin Wirathu attends a media briefing in Colombo, Sri Lanka, Tuesday, Sept. 30, 2014. Wirathu, known for his anti-Muslim campaign, has formalized an agreement with a like-minded Sri Lankan Bodu Bala Sena or Buddhist Power Force to work together to protect Buddhism which he says is challenged worldwide. (AP Photo/Eranga Jayawardena)

O monge budista radical Ashin Wirathu, de Mianmar, que prega contra muçulmanos e provocou já provocou centenas de mortes. Crédito: Eranga Jayawardena / AP Photo

 

O primeiro e mais importante princípio de todo budista é abster-me de matar seres vivos. Muitos levam esse mandamento tão a sério que se tornam vegetarianos. Mas, em Mianmar, antiga Birmânia, o monge Ashin Wirathu, do grupo 969,  prega abertamente a violência contra muçulmanos. Duas centenas de pessoas já morreram nos conflitos desde 2013. Como explicar que uma religião que prega a não-violência estimule a morte de indivíduos de outras crenças?

Ao longo dos séculos, pensadores budistas fizeram vários malabarismos intelectuais para justificar as agressões de seus colegas. Um dos mais recorrentes é usar o argumento da legítima defesa. Wirathu nunca manda seus seguidores atacarem muçulmanos. O que ele pede é para eles defenderem a raça, as pessoas e o país (Wirathu é um lesado. Segundo ele, uma maioria muçulmana quer destruir Mianmar com a ajuda dos países árabes. Na realidade, os muçulmanos são apenas 4% da população).

Outra prática comum é a de desumanizar os inimigos. Na crônica Mahavamsa, do século II, o rei budista Dutthagamani fez uma guerra santa contra invasores estrangeiros liderados pelo rei tamil Eara, atual Índia. Um monge o consolou dizendo que a morte de infiéis do mal não constituiria assassinato, uma vez que os guerreiros tamis não eram nem meritórios, nem budistas. A morte deles então não deveria carregar mais peso que a de animais.

Na definição mais básica, terrorismo é quando um grupo mata inocentes e espalha o medo em uma sociedade com o objetivo de alcançar um fim político. Os budistas radicais de Mianmar encaixam-se nessa categoria, embora não tenham algumas características normalmente ligadas ao terrorismo. Eles não fazem parte de uma minoria e contam com a proteção das autoridades locais.

“Muitas pessoas no Ocidente também têm dificuldade de pensar que budistas podem ser terroristas porque associam o budismo com meditação, tranquilidade e paz. Essas ideias estão em desacordo com o conceito ocidental de terrorismo”, diz o filósofo americano Michael Jerryson, autor dos livros Buddhist Fury e Buddhist Warfare (sem tradução para o português).

A disparidade de visões dentro do budismo é uma consequência de sua evolução histórica. As vertentes praticadas no Sudeste Asiático são formadas principalmente por homens que nasceram budistas e que valorizam principalmente os rituais, a disciplina e a vida monástica. Na escola Theravada, a mais antiga, divagações metafísicas, filosóficas e éticas são menos relevantes. Já o budismo ocidental, que chegou à Europa e aos Estados Unidos no final do século XIX, é quase todo o oposto. Seus fiéis são, em sua maioria, pessoas que se converteram, incluindo muitas mulheres, que interpretaram as escolas budistas segundo valores próprios, como democracia, igualdade e justiça. Essa turma afastou o budismo das circunstâncias em que esse se desenvolveu e limpou todo o sangue de sua história.

 

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Comentários
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  1. Comentado por:

    marcos

    Que matéria mentirosa e fraca – vai pesquisar mais e, depois teça comentários honestos.

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  2. Comentado por:

    Jorge Luís dos Santos

    Muito interessante! Obrigado!

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  3. Comentado por:

    PAOLO

    Ou o colunista é mal-informado ou pior, é mal-intencionado mesmo. Qual será a opção correta?
    No Ocidente são os Cristãos que não podem se defender, agora chegou a vez dos Budistas na Ásia.
    A ONU está fazendo uma pressão enorme para que o governo de Myanmar ceda mais e mais direitos e garantias à pequena população Muçulmana, direitos e garantias que o “resto”, os “outros” 58 milhões, nunca sonharam.
    Mas o que é notícia na BBC, na CNN e agora na Veja é um “monge radical”… tenha santa paciência!

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  4. Comentado por:

    wilson de almeida júnior

    Ele lhes disse: “Mas agora, se vocês têm bolsa, levem-na, e também o saco de viagem; e, se não têm espada, vendam a sua capa e comprem uma.
    LUCAS 22:36

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  5. Comentado por:

    Paulo Vitor

    Tem gente que é vegetariano/vegano por quê diz que não se deve matar seres vivos nem para comer, mas come vegetais que também são seres vivos. É uma grande hipocrisia.

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