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Dora Kramer Por Coluna Coisas da política. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

O dom de desagradar

Mal recebido à direita e à esquerda, Aras é uma incógnita a ser desvendada no cargo

Por Dora Kramer - 6 set 2019, 11h05

Ao optar pela indicação do subprocurador Augusto Aras para a chefia do Ministério Público Federal, o presidente Jair Bolsonaro conseguiu a proeza de desagradar afetos e desafetos. O nome, a ser submetido ainda ao escrutínio do Senado onde parece provável sua aprovação, foi mal recebido em praticamente todas as esferas, as profissionais e as ideológicas.

O MPF reagiu à não observância da lista tríplice, bem como entidades da área jurídica. Os críticos de Bolsonaro avaliam o indicado conservador demais e inapropriadamente subserviente às ideias do presidente. Os bolsonaristas o enxergam com desconfiança por considerá-lo dono de um passado de perigosa tendência esquerdista.

Augusto Aras é, portanto, uma incógnita a ser desvendada no exercício do cargo. A prévia dada pelo comportamento dele como candidato à vaga não recomenda, pois procurou todo o tempo se enquadrar no perfil traçado pelo presidente. É certo que de outro modo não teria sido escolhido, mas a procuradoria-geral da República requer observância a critérios constitucionais, sendo o principal a preservação da independência no cumprimento do papel de defensor da sociedade.

Se aprovado no Congresso, é a esses parâmetros que Augusto Aras deverá obedecer e a partir dos quais estará sendo observado pelo cidadão brasileiro a que, de fato, responde.

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