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Dora Kramer Por Coluna Coisas da política. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Falso brilhante

Fundo eleitoral menor não é vitória de Bolsonaro, mas é derrota do Congresso

Por Dora Kramer 18 dez 2019, 11h28

O Congresso começou o ano bem em matéria de expectativas da população: na época, o Datafolha indicava que a maioria (56%) acreditava num desempenho ótimo e bom de deputados e senadores em 2019. Ao longo dos meses seguintes, o Parlamento fez um bom trabalho, ativo como há muito não se via, voltado para pautas de interesses público e com atuação independente das vontades do Executivo.

No entanto, a última pesquisa, divulgada hoje (18.12), indica uma queda de nove pontos porcentuais nessa avaliação positiva, agora no patamar de 45%. O que aconteceu para que o Congresso tivesse perdido a maioria? A explicação mais evidente está na malfadada discussão sobre o aumento dos recursos do fundo eleitoral. Uma agenda velha, injusta e obviamente repudiada pela população.

Os congressistas deram ao presidente Bolsonaro o que foi interpretado como uma vitória dele, pois desistiram de elevar o fundo para R$ 3,8 bilhões e se conformaram com a proposta do governo de R$ 2 bilhões com medo de que houvesse veto presidencial e suas excelências terminassem sem dinheiro algum.

Embora tenha sido uma derrota do Legislativo, não pode ser visto como vitória do Executivo, pois R$ 2 bilhões de dinheiro público, somados aos R$ 930 milhões do fundo partidário, significam quase R$ 3 bilhões para financiar partidos. Como entidades de direito privado, deveriam se virar para buscar recursos, seja na convocação de voluntários, uso eficiente das redes sociais, promoção de eventos de arrecadação, atuação que justifique presença no noticiário tradicional ou o velho e bom corpo a corpo.

A solução encontrada não é uma boa solução. É uma meia sola para pelo contribuinte. Desse jeito, o Parlamento que poderia ter encerrado o ano em alta, acabou estacionado no habitual viés de baixa. Bem merecido, diga-se.

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