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Dora Kramer Por Coluna Coisas da política. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Aras atua em causa própria

Foco do procurador-geral hoje é garantir sua recondução ao cargo

Por Dora Kramer 8 jun 2021, 12h42

Ao pedir o arquivamento do inquérito que trata atos antidemocráticos patrocinados por apoiadores de Jair Bolsonaro, o procurador-geral, Augusto Aras, procurou emparedar o Supremo Tribunal Federal e acabou sendo posto contra a parede pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da ação.

Aras apostou na jurisprudência segundo a qual o STF acata aquele tipo de pedido, mas a contraofensiva de Moraes, ao determinar a quebra de sigilo das investigações e pedir explicações que fundamentem a solicitação, expôs a PGR a um constrangimento.

Ao dar acesso público ao conteúdo do que foi até agora apurado, o ministro torna mais difícil à procuradoria justificar a motivação para o arquivamento. Ainda mais diante da posição da Polícia Federal em favor da continuidade das investigações.

O lance de Alexandre de Moraes dá margem a tomadas de um de duas atitudes: simplesmente não atender ao que pede a procuradoria ou decidir pela abertura de outro inquérito também sobre os atos antidemocráticos.

Augusto Aras procurou se preservar ao não assinar a solicitação, deixando a tarefa para o vice procurador Humberto Jacques de Medeiros, mas não conseguiu mascarar o que hoje é a missão à qual se dedica em tempo integral: agradar ao presidente da República de modo a assegurar sua recondução ao cargo a partir de setembro próximo.

Vale lembrar que a função do Ministério Público é defender a sociedade, cuja situação é a de vítima quando em jogo está o respeito aos ditames constitucionais da democracia.

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