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Claudio Lottenberg Mestre e doutor em Oftalmologia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp), é presidente do Instituto Coalizão Saúde e do conselho do Hospital Albert Einstein

Vacina exige tempo e cuidado – e dispensa pressa e política

O imunizante contra a Covid-19 pode ficar pronto em 2021, o que seria o mais rápido desenvolvimento da história. A vacina contra o sarampo é a recordista

Por Claudio Lottenberg Atualizado em 31 ago 2020, 08h44 - Publicado em 31 ago 2020, 08h43

Quando uma pessoa toma vacina, é como se o organismo estivesse sendo atacado pelo vírus – mas em uma versão enfraquecida. O objetivo é fazer com que o corpo conheça o inimigo, ainda que sem sua total agressividade. Desse modo, consegue criar suas defesas e fica preparado para enfrentar a ameaça real, se ela aparecer.

Cientistas de todo mundo estão em uma verdadeira corrida contra o tempo para encontrar uma candidata a vacina eficaz no combate à pandemia do novo coronavírus. Segundo o mais recente balanço da OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 169 pesquisas estão em desenvolvimento e ao menos 30 já foram registradas em fase clínica (etapa de teste em humanos). Sete potenciais vacinas contra o coronavírus estão em estágio avançado de testes ao redor do mundo – mas nenhuma ainda passou da fase de testes que busca sua segurança e eficácia.

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Primeiro são feitas pesquisas em laboratórios para avaliar dezenas de possibilidades de composição da vacina. Depois, são realizados testes em animais para comprovar os dados obtidos. Antes de ser liberada para a população, a vacina tem que passar por três etapas de ensaios clínicos. A cada etapa, mais voluntários são recrutados e os resultados dos testes são analisados pelos pesquisadores para garantir que ela possa ser licenciada. Na primeira, a vacina proposta é avaliada com quesito de segurança e envolve poucos voluntários. Na segunda, amplia-se a amostra de voluntários e valida-se a capacidade de proteção. Na terceira, recorre-se a milhares de voluntários e são avaliadas eficácia e duração.

Há quatro tipos de vacinas que são estudadas atualmente para o novo coronavírus:

– Vacina genética e vacina de vetor viral: usam parte do material genético do vírus para estimular o corpo a produzir defesa contra o Sars-Cov-2;

– Vacina de base de proteína: cientistas usam uma proteína do vírus, ou um pedaço dela, para produzir resposta imunológica. Não há nenhuma vacina que usa essa tecnologia em fase final de testes em humanos;

– Vacina inativada: é composta pelo vírus morto ou por partes dele. É a que mais tem propostas na terceira fase de testes em humanos.

Uma vacina contra a Covid-19 desenvolvida de forma apressada poderia gerar respostas imunológicas violentas do organismo, que poderiam transformar o indivíduo com um quadro leve da doença em um paciente em estado grave, levando-o ao óbito.

Entender a doença, conhecer o fator causal (no caso, o vírus), o desenho dos estudos, os testes necessários, as conclusões e a efetiva produção para atendimento em escala mundial. O mundo concorre por ela, e há segmentos que deverão ser selecionadas com critérios de priorização que levem em conta fatores de risco e mesmo vulnerabilidade econômica. Tudo isso demanda tempo e cuidado. Isto tem que estar claro e acima das paixões políticas.

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